Discurso de ‘se eu perder, houve fraude’ é de quem não aceita a democracia, diz Barroso

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral lembrou que a alternância no poder é um pressuposto dos regimes democráticos e disse não que há razão para ‘mexer em time que está ganhando’

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2021 06h30 - Atualizado em 30/07/2021 11h29
Divulgação/TSESegundo Barroso, não há razão para duvidar do sistema que elegeu os presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, e Jair Bolsonaro

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rebateu críticas e acusações disparadas no debate sobre o voto impresso. O presidente Jair Bolsonaro acusa Luís Roberto Barroso de trabalhar contra a democracia por ser contrários à PEC em discussão no Congresso Nacional. Sem citar o chefe do Executivo, o magistrado, que também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que “quem não sabe perder, não aceita a democracia”. “Uma das características da democracia é a alternância no poder, é reconhecer a possibilidade de que outro que pensa diferente de mim possa ganhar. Portanto, o discurso ‘se eu perder, houve fraude’ é de quem não aceita a democracia, a alternância no poder é pressuposto dos regimes democráticos”, afirmou durante solenidade no Acre. Ele também ressaltou que uma mentira deliberada tem dono e precisa ser denunciada e disse ainda que jamais foi documentada ou comprovada nenhuma irregularidade nas eleições.

O ministro afirmou que qualquer fraude exigiria uma “conspiração” envolvendo muitas pessoas. Ele destacou que não há precedente e nem razão para “mexer em time que está ganhando”, se referindo a segurança das urnas eletrônicas e descartando a necessidade do voto impresso. “Há uma crença de pessoas de boa fé de que o voto impresso apenas traria um mecanismo a mais de auditoria. É muito importante esclarecer que a despeito disso parecer lógico, não é verdadeiro”, disse, indicando que há consenso de que essa é uma mudança para pior. Segundo Barroso, não há razão para duvidar do sistema que elegeu os presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, e Jair Bolsonaro. Ele concluiu reafirmando que este sistema eleitoral consagra a democracia porque garante a alternância de poder.

*Com informações do repórter Daniel Lian