Divididos, Doria e Leite minimizam apoio a Bolsonaro em debate de prévia tucana

Governadores foram cobrados pelo adversário Arthur Virgílio; primeiro das eleições internas do partido está marcado para o dia 21 de novembro

  • Por Jovem Pan
  • 20/10/2021 12h18
MAURO BORGES E ANDRÉ RIBEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOOs governadores João Doria e Eduardo Leite manifestaram voto em Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018

Debate do PSDB opõe João Doria e Eduardo Leite com críticas de Arthur Virgílio aos excessos na disputa interna pela vaga à presidência da República. O chefe do Executivo, Jair Bolsonaro, foi o protagonista natural do evento. Sobraram críticas pesadas à sua condução da pandemia, política econômica, desemprego, inflação e combustíveis. O ex-prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio cobrou os governadores pelo apoio ao presidente durante a campanha de 2018. “Eduardo, é uma questão de amor ao partido. Você teria vencido as eleições sem ter votado no Bolsonaro?”, questionou Virgílio. Leite garantiu que “não vendeu a alma” para ganhar a eleição. “Manifestei o meu voto, mas não foi um apoio. Tanto é que comecei a eleição no segundo turno com 60% nas pesquisas e terminei com 53%. Perdi votos por não ter feito uma adesão em um Estado onde o Bolsonaro ganhou já no primeiro turno enquanto o meu adversário fez a adesão. Eu sempre fui muito claro, muito objetivo nas minhas posições. Não vendo a alma para ganhar a eleição a qualquer custo”, rebateu o governador do Rio Grande do Sul.

A campanha de João Doria no segundo turno criou o Bolsodoria, uma aliança entre o candidato a governador e o candidato à Presidência. Mas agora o tucano faz uma autocrítica. “Em relação ao presidente Bolsonaro, eu errei como o Eduardo errou, como outas pessoas erraram. Aliás, 65% da população brasileira cometeu esse erro, esse equívoco. Eu não tenho compromisso com o erro e não erro duas vezes. A nossa posição é claramente em defesa da democracia, das liberdades e do direito da população de discordar”, enfatizou. Quando os partidos precisam fazer prévias, eles defendem que a disputa irá revigorar a legenda, permitir a participação dos filiados, mas, na prática, muitas vezes essa primeira disputa interna fragiliza propriamente a futura candidatura. Como contar de fato com o grupo que perdeu? São vários os exemplos de maior divisão e muitos menos união. No PSDB, nos últimos dias, o clima esquentou, com provas de que o partido sairá unido dessa disputa apenas no discurso.

Mais à vontade no debate, Arthur Virgílio chamou a atenção dos adversários tucanos. “As prévias têm que ter um limite. Ou seja, Hillary atacava o Obama, o Obama atacava a Hillary, até o limite de não ficarem impedidos de se unirem para conseguir a vitória democrata naquela eleição memorável. Eu tenho a impressão de que isso exclui as picuinhas, mas eu tenho visto as picuinhas”, avaliou o ex-prefeito de Manaus. Os apoiadores de João Doria já questionaram as regras das prévias e agora o aplicativo que será usado pelos tucanos para a votação interna. Mas o governador de São Paulo descarta apoio ao retorno do voto impresso no PSDB. “Eu sou contra o voto impresso, eu sou a favor do voto eletrônico. Aliás, repito: 18 deputados federais por São Paulo votaram contra o voto impresso e se posicionaram em defesa da democracia e, portanto, da urna eletrônica”, afirmou Doria.

Eduardo Leite ainda reforçou que não basta ser gestor privado na política. “Composição política se faz em qualquer lugar do mundo. E se faz, fazendo política e não gestão simplesmente. É importante fazer gestão com inspiração no setor privado, mas nada substitui a capacidade que você tem que fazer para formar convergência e aprovar as reformas mais importantes”, finalizou. Os governadores de São Paulo, João Doria, do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite e o ex-senador Arthur Virgílio
participaram do debate promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico. Doria chegou a comunicar que não participaria, mas diante da repercussão negativa recuou. O primeiro turno das prévias do PSDB está marcado para o dia 21 de novembro.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos