Doria afirma que ‘problema diplomático’ atrasa entrega de insumos da CoronaVac ao Brasil

Governador de São Paulo também disse que, caso seja chamado para depor na CPI da Covid-19, situação de Jair Bolsonaro ‘vai piorar ainda mais’

  • Por Jovem Pan
  • 14/05/2021 08h41 - Atualizado em 14/05/2021 10h55
ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDODoria anunciou que nesta sexta-feira, 14, serão entregues mais 1,1 milhões do doses da vacina do Butantan

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, afirmou que os insumos da vacina CoronaVac estão presos na China, prontos para embarcar, apenas por questões políticas. Segundo o tucano, as falas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, insinuando que o país criou o coronavírus e o disseminou pelo mundo não foram bem recebidas em Pequim. Para Doria, esses embaraços devem ser resolvidos pelo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, e o embaixador do Brasil na China, Paulo Mesquita. “Temos 10 mil litros de insumos da vacina do Butantan armazenados e refrigerados no depósito da Sinovac apenas esperando autorização do governo chinês para o embarque. São 18 milhões de doses da CoronaVac, tão necessária neste momento.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Doria anunciou que nesta sexta-feira, 14, serão entregues mais 1,1 milhões do doses da vacina do Butantan. “Depois disso, não temos mais insumos para produção. O governo da China interrompeu [a entrega], aparentemente é um problema de ordem diplomática”, avaliou. O governador de São Paulo avaliou que não estranha essa atitude da China, já que ela é a maior fornecedora de vacinas e insumos contra o coronavírus no mundo. “As agressões feitam foram muito danosas. Ver um presidente da República dizendo que a China criou o vírus e disseminou a Covid-19 pelo mundo e o ministro da Economia falar a mesma coisa. Isso provocou uma reação muito negativa. Temos que, neste momento, apostar na boa conduta do Itamaraty.”

Para ele, o ministro Carlos França adotou o tom conciliatório e tem sido equilibrado — bem distante da postura de seu antecessor, Ernesto Araújo, que tinha um “tom ideológico”. Doria avaliou França como um homem de carreira e com larga experiência no Itamaraty, mas afirmou que até agora esse diálogo não teve resultado. “Ainda não tivemos confirmação do embarque. Eu mesmo falei com o embaixador da China no Brasil, Wanming Yang, ele tem sido extremamente correto, pedi apoio para que o governo da China pudesse destravar o mais rápido possível o embarque desses insumos.” Sobre um possível depoimento na CPI da Covid-19, João Doria afirmou que quem não deve, não teme.

“Se for convocado, lá estarei. Não há nenhum problema em atender a convocação de parlamentares e senadores da CPI. Mas minha ida, se convocado for, não vai amenizar a situação do governo. Vai piorar. Testemunharei que o governo foi negacionista em relação a vacina”, afirmou. O governador lembrou que São Paulo insistiu por três meses que o governo federal comprasse a CoronaVac e que as negativas foram sucessivas. “Iniciamos o entendimento ainda em julho, com os então ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo. No dia 20 de outubro, Pazuello fez uma reunião com líderes do governo e 24 governadores para anunciar a aquisição de 46 milhões de doses depois de três meses e sete dias. No dia seguinte, dia 21 de outubro, o presidente da República disparou um tweet dizendo que não compraria vacina e que Pazuello não tinha autorização para fazer aquisição do que ele chamou de ‘vachina’. Se me convidarem para a CPI, a situação de Bolsonaro vai piorar ainda mais.”

Sobre o cenário para 2022, João Doria evitou comentar as eleições presidenciais e disse que é cedo para analisar e fazer maiores conclusões. Ele deu, como exemplo, que em 2016 era visto como um candidato de 1% das intenções dos votos para o governo da cidade de São Paulo e acabou levando o pleito daquele ano em primeiro turno contra o petista Fernando Haddad com 53%. Para ele, a filiação de Rodrigo Garcia no PSDB, que acontece hoje, deve ser celebrada — mas Doria não se estendeu sobre ele ser seu possível sucessor caso decida concorrer à Presidência da República.