Eleitores vão às urnas escolher presidente do Peru neste domingo

Pesquisas mostram empate técnico entre dois candidatos de campos totalmente diferentes: Keiko Fujimori e Pedro Castillo

  • Por Jovem Pan
  • 06/06/2021 11h10
EFE/Paolo AguilarPopulação vai ao segundo turno no país latino

Os eleitores voltarão às urnas neste domingo, 6, para o segundo turno das eleições presidenciais no Peru. A disputa está entre dois candidatos de campos totalmente opostos: Keiko Fujimori, que representa a política tradicional populista, e Pedro Castillo, que traz a promessa de uma guinada total no sistema em vigor no país. Candidata pela terceira vez, Keiko é velha conhecida dos peruanos. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por crimes contra a humanidade no país, ela chegou a ser detida sob acusação de corrupção. A candidata de direita defende a manutenção das regras econômicas atuais, como o livre comércio e medidas que facilitem os investimentos externos. Já Pedro Castillo, considerado como a grande surpresa da disputa, surgiu com um discurso de esquerda e a promessa de “não haver mais pobres em um país rico”.

Para os apoiadores, ele simboliza a esperança da “inclusão”. O professor de Relações Internacionais da FMU, Manuel Furriela, acredita que Keiko Fujimori pode levar a melhor na disputa. “Ela se aproximou com aquilo que ela sempre buscou se afastar, que foi em relação ao legado do seu pai. Ainda uma parte do eleitorado peruano tem apreço por certas políticas econômicas da época, mas não é um eleitorado majoritário. Por outro lado, Pedro Castillo tem dois problemas: um que ele é um novato na política, então surge a incerteza sobre a sua capacidade de gestão, e a outra é que apesar de ele ter uma proposta de política econômica muito clara, que é de esquerda, o que faz com que o eleitor entenda qual é a sua proposta, por outro lado ele fez uma série de declarações conservadoras em relação a comportamentos sociais”, analisou. Manuel Furriela ressalta que quem vencer as eleições vai herdar um país com uma situação econômica boa, mas com desafios no enfrentamento da pandemia. Ele avalia, no entanto, que qualquer um deles vai iniciar o mandato com grande rejeição. “Ao contrário da maior parte dos países da América Latina, o Peru é aquele que se encontra em uma das melhores situações econômicas. Ele vem de um período de grande expansão econômica. O que eu vejo como desafiador é a crise sanitária. O Peru é um dos países mais atingidos pela pandemia, o que causa uma grande sobrecarga no sistema de saúde”, disse.

O professor de Relações Internacionais da FMU, Manuel Furriela, ainda destaca que caso Pedro Castillo vença, a relação com o Brasil pode não ser prejudicada. “Há interesse do governo atual brasileiro que ela sai vitoriosa, é uma identidade, em relação a ela. Agora, caso saia o Pedro Castillo eleito, vai ser um oposto. Como ele pelo menos se apresenta como sendo de extrema esquerda, com certeza a relação com o Brasil não vai ser das melhores, pelo menos o que é indicado. Tomara que a gente se surpreenda, como foi o caso de outros países onde a relação entre os estado têm que ser superiores do que as entre governos”, afirmou. As pesquisas de opinião apontam empate técnico entre os dois candidatos. A eleição será realizada poucos dias depois de o governo do Peru ter reconhecido que o número de óbitos por Covid-19 é mais que o dobro do que os 70 mil que havia informado anteriormente. O país registra oficialmente mais de 180 mil mortos pela doença.

*Com informações da repórter Letícia Santini