Em meio à pandemia, um em cada cinco britânicos enfrenta sintomas de depressão

Adultos jovens, mulheres, trabalhadores essenciais e pessoas com necessidades especiais são as mais suscetíveis ao problema

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 19/08/2020 08h25 - Atualizado em 19/08/2020 08h52
EFE/ Fernando BizerraA dramática deterioração da saúde mental dos britânicos tem sido associada a diversos fatores, entre eles estão a quarentena

Os efeitos da pandemia de coronavírus não estão sendo sentidos apenas na economia ou nos hospitais. Na Grã Bretanha, um estudo oficial do governo revela que a Covid-19 também criou uma crise na saúde mental da população. Dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas britânico, ONS na sigla em inglês, apontam que um em cada cinco britânicos está enfrentando sintomas de depressão. Essa estatística representa o dobro de casos no país comparada ao que era registrado até o mês de março, quando a pandemia chegou.

Adultos jovens, mulheres, trabalhadores essenciais e pessoas com necessidades especiais são as mais suscetíveis ao problema. Praticamente todas as faixas etárias estão sendo atingidas, mas o grupo entre 16 e 39 anos de idade foi o que apresentou maior crescimento. A dramática deterioração da saúde mental dos britânicos tem sido associada a diversos fatores, entre eles estão a quarentena — com maior isolamento, luto e insegurança financeira causada por dívidas e desemprego. E também por conta disso há temores de que os números das pessoas enfrentando sintomas de depressão aumentem no final do ano.

O esquema do governo que está pagando salários do setor privado acaba em outubro. É dado como certo que as empresas então vão iniciar mais uma rodada de demissões em massa porque a recuperação econômica ainda é lenta. Especialistas em questões de saúde mental estão pressionando o governo para colocar o tema no centro das políticas públicas pós pandemia. O SUS britânico já tem diversos programas voltados ao combate à depressão, mas agora o problema está crescendo rapidamente.

Enquanto isso, os casos de Covid-19 continuam crescendo em toda a Europa. A Alemanha registrou 1.510 casos em 24 horas — o maior número diário desde maio. A Grécia também bateu o próprio número recorde diário de 269 casos na terça-feira. E acredita-se que a Espanha tenha a maior taxa de infecção da Europa nos últimos 14 dias. De acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças, houve 132,2 casos por grupo de 100.000 pessoas durante esse período.