‘Escola deve ser a última a fechar e a primeira a reabrir’, diz representante do ‘Escolas Abertas’

Senado Federal está analisando um projeto de lei que torna a educação um serviço essencial; com isso, as atividades não poderão ser paralisadas durante a pandemia

  • Por Jovem Pan
  • 24/04/2021 13h29 - Atualizado em 25/04/2021 10h47
Caio Basilio/Futura Press/Estadão Conteúdo - 03/03/2021 Em São Paulo, 1,8 milhões de crianças deixaram de ser alfabetizadas em 2020

O Senado Federal está analisando um projeto de lei que torna a educação um serviço essencial. Com isso, as atividades escolares não poderão ser paralisadas durante a pandemia. A representante do movimento Escolas Abertas, Isabel Quintella, considera a proposta extremamente positiva. “A importância dessa lei é que ela entende a essencialidade da Educação para o Brasil inteiro e diz que a educação, como atividade essencial, em caso de uma pandemia, deve ser a última a fechar e a primeira reabrir”, diz Isabel em entrevista ao Jornal da Manhã. “Para fechar, as escolas têm que ser fechadas com base em critérios científicos, específicos e que justifiquem aquele fechamento. O fechamento tem que ser temporário e a volta deve ser criteriosa, com protocolos, com segurança para os alunos, professores e funcionários”, acrescenta. “O que isso evita? O que a gente viveu no ano passado, que foi uma absoluta inversão de valores, um fechamento prolongado das escolas sem qualquer critério científico. A gente viu bares, restaurantes e academias abrirem e as escolas permanecerem fechadas. Essa lei vem a sanar essa situação que a gente viveu ano passado.”

A representante do movimento Escolas Abertas defende que as aulas presenciais têm que voltar, porque a Educação não é uma atividade essencial só para as crianças, mas para a sociedade como um todo. Para ela, nada substitui o ensino presencial. “Existem diversas pesquisas que falam sobre o ensino remoto e comprovam que o aprendizado perde sim neste formato”, argumenta. Isabel considera que a conjunção do ensino presencial com híbrido é uma forma de recuperar o que foi perdido durante o ano letivo de 2020, mas acredita que o ensino remoto por si só não resolve o problema. Apesar disso, Isabel ressalta que o ensino remoto prestou um grande papel em 2020, que foi de manter o vínculo das crianças com a escola. “Temos uma grande dificuldade no Brasil que é que nem todos têm acesso aos meios de comunicação. E mesmo para aqueles que têm um acesso de meio período, existem certas faixas etárias e certas condições individuais dos alunos que não permitem que eles se beneficiem do ensino remoto. Apesar da gente entender que esse ensino remoto pode ser necessário na parte do reforço e na parte de recuperação, nós entendemos que nada substitui a sala de aula”, reforça a especialistas.

Ela também avalia que a pandemia do coronavírus aumentou ainda mais a discrepância entre as redes de ensino no Brasil. “A gente acompanhou nos últimos 30 anos uma queda de qualidade significativa na rede pública. Em um ano inteiro de ensino remoto, podemos imaginar que esse abismo entre a rede pública e privada aumentou ainda mais”, aponta. A discrepância entre as redes deixam ainda maior a desigualdade social no Brasil. De acordo com Isabel, a Educação é responsável por 50% deste problema. As outras métricas, como sexo, raça e localização, correspondem de 8% a 10% desse cálculo. Só em São Paulo, 1,8 milhões de crianças deixaram de ser alfabetizadas em 2020. “Ou a gente vai assumir a Educação como uma prioridade de política pública e de sociedade ou então a gente não vai recuperar”, diz. A especialista afirma que, se o Brasil continuar no mesmo modelo e da mesma forma que estava sendo feito antes da pandemia, não haverá como recuperar o ano perdido. Porém, ela acredita que a recuperação não é impossível, mas reforça que um esforço descomunal terá que ser feito para sanar esse prejuízo.