Especial: crise econômica atinge combustíveis e dificulta negócios e empregabilidade

Impacto dos aumentos afeta diretamente quem trabalha com automóveis e postos de gasolina, mas todo o mercado e a sociedade já sentem o peso da alta da inflação

  • Por Jovem Pan
  • 05/10/2021 09h25 - Atualizado em 05/10/2021 10h12
Marcelo Camargo/Agência BrasilMotoristas de aplicativo e empresários de postos de gasolina são alguns dos primeiros a sentir o peso da crise que atinge os combustíveis no Brasil

Em um ano, o preço da gasolina subiu 39%; o etanol, 62%; o óleo diesel, 28,2%. O último reajuste foi de 8,89%, anunciado pela Petrobrás após 85 dias de preços estabilizados: 22 centavos a mais para o bolso do consumidor brasileiro. Sinal de uma crise sem fim. A Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo confirmou que 20% da categoria pararam de rodar por causa dos gastos dos combustíveis. Os dados batem com os da Associação Brasileira de Locação de Automóveis, que aponta que de julho a setembro deste ano, 20 mil motoristas de aplicativos desistiram de alugar carros para trabalhar. A elevação do barril de petróleo no mercado internacional tem causado revolta nos empresários donos de postos de combustíveis. Uma empresária que não quis se identificar concordou em falar com a reportagem sobre o assunto. Ela denunciou os abusos do Governo Federal e dos estados sobre as alíquotas de impostos, que encarecem os combustíveis. “Eu acho que não tem o mínimo de sentido a nossa cotação de combustível ser em dólar. Ninguém tem uma explicação plausível para isso. Não há empresário que aguente. E, com isso, todos os postos pequenos estão fechando”, afirma a empresária.

Nas gestões presidenciais de Dilma Rousseff (PT), de 2011 a 2016, o governo interferiu diversas vezes para que o mercado internacional do combustível não influenciasse o mercado interno brasileiro. Para especialistas, a atitude de tentar frear a alta da inflação naquele momento pode ter sido um erro e teria provocado, anos depois, prejuízo na Petrobrás. De 2016 a 2018, o governo de Michel Temer (MDB) mudou a política de preços, alinhando com o mercado internacional. A ação foi desfavorável ao brasileiro que ganhava e continua ganhando pouco, mas pagando alta carga tributária, além de elevar os custos dos empresários. Atualmente, no governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a independência da Petrobrás dita a regra. Os preços são determinados pela lei de mercado, oferta e demanda, alinhado com o preço do barril do petróleo, vendido em dólar. A crise econômica que atinge o Brasil chegou aos combustíveis. A pandemia agravou o cenário político e a situação do desemprego. O Banco Central tenta conter a inflação. O país não parou, mas está difícil prosperar.

*Com informações do repórter Maicon Mendes