Euforia do Ano Novo termina com temporada de impostos e boletos das compras de Natal

Economista aponta que 2022 terá muitas oscilações financeiras por causa das eleições presidenciais

  • Por Jovem Pan
  • 03/01/2022 09h07 - Atualizado em 03/01/2022 10h09
Banco de imagens/Pixabay O endividamento aumentou, no Brasil, durante a pandemia da Covid-19 Para economista, planejamento financeiro pode reduzir as dificuldades econômicas no início do ano

Após a euforia do Réveillon, chega a realidade ao brasileiro: a temporada de impostos, IPVA, IPTU, matrículas, aumento nas mensalidades escolares e os boletos do Natal, após um ano de inflação na casa de 10%. A professora de economia da ESPM Paula Sauer lembra da difícil tarefa do planejamento financeiro. “É que a gente não se planeja financeiramente para isso. A gente sofre, mas não se planeja, não guarda dinheiro antes, usa as férias, o 13º, para os que recebem o bônus, de uma forma mais despojada, mais leve. E faz sentido também, depois de um ano tão sofrido, comemorar que está vivo, perto dos amigos e familiares, só que nessa a gente acaba esquecendo, ou fazendo de tudo para esquecer, que no início do ano vem todas essas despesas e, a realidade cai no colo da gente”, comenta.

A professora ainda aponta que, no último boletim Focus, do Banco Central, os economistas projetaram em 10% a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, em 2021. “Há uma expectativa de inflação próxima de 6% para o final de 2022, só que, dentro dessa expectativa de futuro, tem o ano de eleição. Um ano de eleição que a gente já sabe, de antemão,que vai ser um ano de bastante oscilação. A gente vai ver o risco do Brasil, pulando, de acordo com os debates que vão acontecer lá na frente, cada matéria no jornal vai fazer com que aquilo traga um impacto importante para a economia. Quando se fala do preço dos combustíveis, que tá muito relacionado ao preço do dólar, que tá muito relacionado ao que acontece na política do país, então, a gente já espera um ano de grandes solavancos. Não tem como dizer que não vai acontecer”, pontua.

O aumento na casa de 50% dos combustíveis foi decisivo para a escalada da inflação no ano passado, com repercussão no transporte e, consequentemente, repasses na cadeia e aos consumidores. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) calcula que o reajuste nas contas de luz pode chegar a 21% em 2022, após a pior crise hídrica dos últimos 91 anos. Em relação aos alugueis, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) acumulou alta de 17,78%, principal balizador, inclusive, dos contratos de locação.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos