Exportadores tentam retomar venda de carne brasileira à China

Embarques para o país asiático, maior comprador do Brasil, foram interrompidos no dia 4 de setembro, após casos suspeitos de vaca louca

  • Por Jovem Pan
  • 20/10/2021 11h24
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDOBloqueio atendeu a um protocolo sanitário firmado com a China, que prevê interrupção do comércio em casos de identificação da doença

Exportadores brasileiros de carne bovina estão preocupados com a demora para a retomada das vendas ao mercado chinês. Os embarques para o país asiático, maior comprador do Brasil, foram interrompidos no dia 4 de setembro, após casos suspeitos de vaca louca terem sido notificados em Minas Gerais e Mato Grosso. O bloqueio, determinado pelo próprio governo brasileiro, atendeu a um protocolo sanitário firmado com a China, que prevê interrupção do comércio em casos de identificação da doença, ainda que não apresentem risco de contaminação. Com a medida os reflexos no mercado já são sentidos, como quedas na exportação da proteína e no preço do boi gordo.

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues diz que a demora na retomada da comercialização causa prejuízos ainda maiores. “Já caiu o preço da arroba do boi pronto, gordo. Se continuar um pouco mais de tempo nessa direção, pode cair um pouco mais, trazendo prejuízos para os produtores rurais. A verdade é que os custos de produção subiram muito, todo mundo sabe disso. Todos os insumos subiram, dobraram em alguns casos. Fertilizantes, defensivos e equipamentos subiram. Se o preço cair mais, a situação ficará difícil para o pecuarista brasileiro”, aponta. A cotação do boi gordo chegou a R$ 267,88, o menor valor diário desde o dia 30 de dezembro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP.

Em junho deste ano, a arroba chegou a bater recorde de R$ 322 reais. A suspensão das vendas de carne bovina para a China já supera a marca de 45 dias e sem expectativa de retomada. O ex-ministro diz que o governo brasileiro fez tudo o que poderia ser feito, agora é aguardar o retorno o mais breve possível. “O Brasil cumpre a parte dele ao fazer o anúncio combinado com o contrato, tomou providências com a própria OIE (Organização Mundial da Saúde Animal), enfim, fez todo o papel dele bem feito. A expectativa é que voltasse rapidamente o mercado, porque está demorando. A gente torce para que volte logo para que o prejuízo não seja acentuado ainda mais”, finaliza. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina enviou uma carta ao ministro-chefe da administração Geral da Alfândega da China se colocando à disposição para ir ao país asiático a fim de tratar pessoalmente do tema.

*Com informações do repórter Daniel Lian