Integridade dos dados da eleição não foi atacada, diz presidente do TRE-SP

Waldir Sebastião de Nuevo Campos Júnior lembra que, em 24 anos utilizando o equipamento eleitoral, nunca houve anulação ou constatação de fraude

  • Por Jovem Pan
  • 17/11/2020 10h04 - Atualizado em 17/11/2020 12h42
Elza Fiuza/Agência Brasilcomo utilizar a urna eletrônica

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador Waldir Sebastião de Nuevo Campos Júnior, voltou a falar sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Após as eleições municipais deste domingo, 15, marcadas por tentativas de ataques ao STF e pela demora para a totalização dos votos, o desembargador explicou ao Jornal da Manhã como o funcionamento isolada dos equipamentos eletrônicos garantem a segurança das urnas e minimizou as desconfianças sobre a veracidade do pleito. “Cada urna faz uma apuração própria [após o período e votação] e expede o boletim de urna com os resultados, tornando esse processo absolutamente auditável. Temos isso documentado. Aliás, essas tiras [boletins] são assinadas pelo juiz, promotor e pelo fiscal do partido se estiver presente. Então esse procedimento nos dá muito tranquilidade. Já tivemos inúmeros procedimentos e fizemos inúmeras perícias, fizemos audiência pública. E nesses 24 anos não tivemos nenhuma anulação ou constatação de fraude”, garante. Antes do pleito, o desembargador há havia afirmado que tinha 200% de certeza de que as urnas eletrônicas eram seguras, também em entrevista ao programa da Jovem Pan.

Waldir Sebastião lembra que a demora para a totalização dos votos se deu por uma sobrecarga do “supercomputador” utilizado, pela primeira vez em uma eleição, para a totalização da apuração. O desembargador, assim como o ministro Luis Roberto Barroso fez em coletiva de imprensa na segunda-feira, 16, mencionou a pandemia como o motivo para a falta de testes do equipamento antes do pleito, o que teria causado esse “gargalo”. “A memória do computador demorou para assimilar os procedimentos, volume e velocidade dos dados chegando. Agora, a empresa que desenvolveu o computador tomará as providências para que esse computador esteja em condições de promover uma totalização rápida dos votos. A projeção é que não se tenha esse congestionamento no segundo turno”, afirma, lembrando que o estado de São Paulo e, principalmente, a capital paulista, que tiveram atraso para apuração, são responsáveis por um número muito grande de votos a serem computados.

A decisão de utilizar o “supercomputador” para a totalização única dos votos neste ano deve-se, segundo Waldir Sebastião, a uma “questão de segurança”, que busca facilitar a proteção dos dados e minimizar os ataques externos. “Um relatório técnico da Polícia Federal disse que se tivéssemos a centralização em Brasília ficaria mais fácil proteger de forma extremamente segura um ponto do que proteger 26 pontos ao longo do Brasil, a ideia foi essa, mas demandava um computador que tivesse a capacidade de fazer sozinho essa totalização”, disse. O desembargador finaliza reforçando que a “integridade dos dados não foi atacada”, já que a urna eletrônica faz sua própria apuração dos votos.