Governo pretende controlar vacinação da Covid-19 pelo CPF

A ideia busca evitar que uma pessoa acabe tomando doses de duas ou mais vacinas contra a doença

  • Por Jovem Pan
  • 09/10/2020 07h11 - Atualizado em 09/10/2020 07h58
REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File PhotoO governo explica ainda que, apesar da ansiedade pela vacina, ela só será aplicada no país se for segura e tiver eficiência comprovada

O ministério da Saúde trabalha com um conjunto de nove vacinas contra a Covid-19 que deverão ser prontas até o primeiro trimestre de 2021. Para controlar a aplicação das doses que vieram ao Brasil, a ideia é fazer um monitoramento com base no CPF. O motivo é evitar que uma pessoa acabe tomando doses de duas ou mais vacinas. A expectativa é que a vacinação comecem a ser disponibilizadas no final deste ano. Entretanto, o secretário executivo do ministério da Saúde, Élcio Franco, reconhece que o processo pode demorar mais tempo.

“É bom sempre lembrar que, por se tratar de um produto ainda inacabado, nós temos um protótipo testado na população e que passa por um processo de validação das agências reguladoras, passa pelo desenvolvimento da capacidade de produção em escala para que possa ser produzida e atender uma parcela considerável da população, existe sim uma possibilidade de atraso. Embora não seja o que se desenha neste momento.”

O governo pretende garantir no primeiro semestre do ano que vem 100 milhões de doses da vacina e 160 milhões de unidades ainda no segundo semestre de 2021. Os grupos prioritários devem ser definidos no mês que vem. O ministério da saúde promete, inclusive, ao governo de São Paulo, a liberação de R$ 92 milhões para a compra de equipamentos da fábrica do Instituto Butantan, que vai produzir a CoronaVac. O secretário de saúde de São Paulo esteve com o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, e explicou que o valor será usado para garantir estudos clínicos, a expansão da fábrica, bem como a compra de equipamentos. Por enquanto, segundo ele, não se falou de aquisição de doses extra da CoronaVac, embora o governo federal tenha afirmado que está interessado em todas as vacinas que forem eficientes. “Nós precisamos de vacinas e o ministério da Saúde entende da mesma maneira. Quanto mais vacinas maior a possibilidade de vacinarmos mais rápido o maior número de brasileiros, dando a possibilidade de retomarmos a vida normal.”

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender na quinta-feira, 08, a necessidade da volta à normalidade. Na avaliação do presidente, não dá para todo mundo ficar em casa esperando a vacina chegar. Ele defendeu também a necessidade da volta às aulas e do público aos jogos de futebol. O governo explica ainda que, apesar da ansiedade pela vacina, ela só será aplicada no país se for segura e tiver eficiência comprovada. Por isso, toda vão passar por análises técnicas e vão precisar de registro da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin