‘Imagino que Nunes Marques seja muito religioso’, avalia ministro Marco Aurélio sobre decisão do colega

Liberação para missas, cultos e atividades religiosas coletivas no pior momento da pandemia de Covid-19 deve ir ao plenário

  • Por Jovem Pan
  • 05/04/2021 10h26 - Atualizado em 05/04/2021 16h54
Carlos Moura/SCO/STFMarco Aurélio Mello afirmou que cabe a Nunes Marques levar ao plenário a decisão sobre cultos e missas durante a pandemia

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, afirmou imaginar que o mais novo magistrado da Corte, Kássio Nunes Marques, é “muito religioso” a julgar pela rapidez em liberar missas, cultos e atividades religiosas coletivas no pior momento da pandemia de Covid-19 no Brasil. “Cabe levar [a pauta] ao plenário na quarta-feira, 7, para que a maioria delibere a respeito”, completou. Ele reafirmou que o STF está funcionando normalmente neste primeiro semestre e questionou: “Que pressa foi essa?”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o decano reforçou que o STF não faz parte do governo. “O Supremo é Judiciário. Julga conflitos de interesse e processos objetivos.” De acordo com ele, é preciso lutar para que as decisões sejam tomadas mais vezes de forma colegiada. “A decisão individual só surgiu ante a sobrecarga invencível de processos. Eu consegui julgar cerca de 150 processos que estavam na fila do plenário por causa da pandemia. O que acontece é que há pedidos de vista que se transformam em perdidos de vista e a jurisdição fica prejudicada.”

Com a aposentadoria programada para o dia 5 de julho, dias antes de completar 75 anos, idade máxima para exercer o mandato, Marco Aurélio espera que o presidente Jair Bolsonaro escolha como seu substituto “o melhor que se apresentar” e que o futuro ministro passe por uma “verdadeira sabatina” no Senado. “E que a pessoa assuma a cadeira percebendo a envergadura que ela tem. O Supremo tem a última palavra sobre o direito positivo, sobre a Constituição Federal. A responsabilidade é enorme”, finalizou. Após deixar o STF, o atual ministro afirmou que não vai morrer de tédio. “Vou tocar a vida acadêmica, viver com a família e ler muito.”