Impacto das mudanças climáticas na morte de pessoas tem ficado mais evidente

Segundo pesquisadores, mais 5 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência dos efeitos do clima

  • Por Jovem Pan
  • 26/09/2021 09h54
Cris Faga/Estadão ConteúdoTermômetro no centro de São Paulo registra alta temperatura

Pesquisadores calculam que mais de 5 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência das mudanças climáticas. De acordo com especialistas as mulheres são mais afetadas que os homens sob temperaturas altas por causa de mudanças nos hormônios reprodutivos e outros fatores psicológicos e de regulação da temperatura do corpo em situações de calor. Uma análise de dados globais apontou que os números de dias de calor extremo dobraram ao redor do mundo desde a década de 1980.

Por cerca de 14 dias por ano, entre 1980 e 2009, as temperaturas passaram dos 50 graus. Entre 2010 e 2019, esse número subiu para 26 dias. A cidade de São Paulo costuma ter temperaturas médias que variam entre 17ºc e 23ºc, mas os episódios de ondas de frio e calor têm sido mais frequentes e às vezes mais longos. Lincoln Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) explica que a situação é ainda mais grave em países como o brasil por fatores como vulnerabilidades socioeconômicas e escassez de habitações preparadas para conter o frio.

“O último relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] foi bastante enfático ao dizer que a mudança do clima já está afetando todas as regiões do planeta de muitas maneiras e o Brasil se insere muito nesse contexto, dado que as observações evidenciam, olhando para as últimas décadas, um aumento na frequência e intensidade de eventos extremos, sejam onda de calor e frio como também impactos no ciclo hidrológico, relacionado à seca e chuvas intensas”, afirma Alves.

Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, estudos apontaram que o risco de ser internado pelo novo coronavírus caiu no brasil durante ondas de calor, mas nesses mesmos períodos a mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias aumentou. Segundo especialistas, isso se acentua em indivíduos vulneráveis porque pessoas com comorbidades são mais propensas a morrerem antes de receberem assistência médica adequada ou de serem internadas durante ondas de calor.

*Com informações da repórter Juliana Tahamtani