Ipatinga tem primeiro parquinho para crianças com deficiência em Minas Gerais

Ideia do playground vem do projeto Duda Nalini, capitaneado por Selma Nalini, que investiu na iniciativa após enfrentar dificuldades com a própria filha

  • Por Jovem Pan
  • 17/10/2021 14h02
Reprodução/Facebook/Projeto Duda NaliniÉ o primeiro parque inclusivo de Minas Gerais

A partir de agora, crianças com alguma deficiência podem brincar a vontade no Parque Ipanema. Ipatinga é a primeira cidade de Minas Gerais a contar com playground inclusivo. Gangorra, gira-gira e um xilofone sensorial são alguns dos brinquedos que passam a fazer parte do espaço, que é interativo e pensado para que uma criança de cadeira de rodas, por exemplo, possa brincar sem se deslocar de seu equipamento. A ideia do parquinho vem do “Projeto Duda Nalini“, capitaneado por Selma Nalini, de Ribeirão Preto, em São Paulo. Como referência no assunto, Selma visitou a cidade em abril para conhecer de perto o parque Ipanema e voltou para a inauguração. “É muita alegria que o projeto chegue aqui. É o município de Ipatinga, então sai do Estado de São Paulo. A ideia é promover o lazer e acessibilidade em todos os lugares. É onde a gente vai ter as crianças e as suas famílias com direito respeitado, com opções de lazer em seu município”, diz Selma Nalini.

“O projeto sempre é realizado em área pública para ter livre acesso a toda a população e para que as crianças estejam juntas para promovermos a inclusão”, explica. Segundo Selma, o projeto surgiu da dificuldade que ela tinha de levar a sua filha mais velha, Maria Eduarda, para brincar nas áreas públicas da sua cidade. “Só meu filho mais novo brincava e ela ficava olhando, até que um dia ele trouxe essa demanda para mim. ‘Mãe, e ai? Eu quero brincar com a Duda, coloca ela para brincar comigo’ e eu olhei no parque e a gente não tinha nenhum brinquedo que ela pudesse estar se divertindo em segurança. Maria Eduarda era uma criança com deficiência grave, cadeirante, não se sustentava. Daí veio a ideia de eu fazer um parque inclusivo e adaptado para que todo mundo pudesse estar brincando junto.

O neuropediatra, Marconi Oliveira, é um defensor da acessibilidade. Ele diz que o espaço representa um grande avanço para a cidade. “Representa a integração das famílias do Vale do Aço aqui no Parque Ipanema. Nós temos 57 anos de cidade e não temos nenhuma praça adaptada. Esse parque vem como primeiro para a incluir essas famílias. Quem trabalha com elas entende o quanto é difícil ter diversão para elas. As crianças, a partir desse momento, não têm diferenças entre especiais e não especiais. São olhos nos olhos”, aponta. O prefeito Gustavo Nunes (PSL) afirma que o poder público precisa se preocupar mais com a acessibilidade. “Sem sombra de dúvidas precisamos, sim, de trabalhar com mais afinco para políticas públicas para dar oportunidade para todas as pessoas aqui do município. Agora chegou a vez das crianças com algum tipo de deficiência”, anuncia o prefeito, que acrescenta que o playground inclusivo era uma demanda dos pais dos menores. As mães das crianças aprovaram o novo espaço. Simone e Davi ficaram empolgados com o local. “Eu estou muito feliz de ver a alegria do meu filho, ver sorriso dele de poder brincar com segurança. Isso é muito importante para as nossas crianças”, comemorou.

*Com informações do repórter Felipe Machado