Janones diz que disputa na Câmara não é democrática: ‘Jogo de interesses’

Segundo o deputado, que é candidato à presidência da Casa, a eleição ‘não guarda qualquer semelhança com o conceito de democracia’

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2021 08h46 - Atualizado em 20/01/2021 11h02
Najara Araújo/Câmara dos DeputadosAndré Janones defendeu ainda que a pauta da Câmara dos Deputados siga o que é de interesse da sociedade

O deputado federal André Janones considera que a eleição na Câmara dos Deputados não é democrática. Segundo o parlamentar, que concorre à presidência da Casa com outros sete deputados, a disputa faz parte de um jogo de interesses. “Não vejo como uma manifestação da democracia as eleições que acontecem na Câmara dos Deputados para escolha do presidente, apenas um jogo de interesses. É um jogo de interesses para saber quem consegue a liberação de mais emendas, mais cargos no alto escalão do governo e na própria Câmara. Então não guarda qualquer semelhança com conceito de democracia“, afirmou em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan. “Não é uma eleição democrática porque o que se negocia nos bastidores é justamente não tocar em temas espinhosos. A gente precisa de um presidente da Câmara que não coloque em pauta apenas temas que sejam favoráveis”, acrescentou.

Para Janones, o significado de democracia está atrelado à participação popular o que aconteceria, segundo ele, se os deputados realmente votassem em nome dos interesses dos eleitores. “Tenho visto colegas defendendo que o voto secreto, justificando que o deputado ali é um eleitor e teria sigilo do seu voto. Mas eles esquerem de mencionar uma diferença, o eleitor vota em seu próprio nome, nós deputados quando estamos exercendo o direito ao voto não estamos falando em nosso próprio nome. Votamos naquilo que o nosso eleitor quer que nós votemos, votando em nome do eleitor, é um voto representativo. Não sou dono do meu voto, eu represento uma parcela da população que confiou em mim”, avaliou o deputado, que classifica a sua candidatua como desejo de uma “boa parte da população”. “Temos uma candidatura avalizada pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, outra avalizada pelo Planalto e a nossa por grande parcela do povo brasileiro. Não dá para continuar ignorando a voz que vem das ruas. Se a nossa democracia está amadurecida, ela exige que o clamor popular tenha peso no parlamento, que ecoe no parlamento.”

André Janones defendeu ainda que a pauta da Câmara dos Deputados siga o que é de interesse da sociedade. De acordo com ele, o debate tem sido “tomado por pautas ideológicas e de costumes” enquando os assuntos que “fazem diferença na vida da sociedade têm ficado em segundo plano”. “A pauta é o povo”, disse o deputado. “O exemplo do auxílio emergencial, o auxílio não é pauta da direira ou da esquerda. Você tem eleitor do Bolsonaro passando fome, assim como tem eleitor da esquerda. A Câmara tem que priorizar assuntos de interesses do todo, a reforma administrativa tem que colocar para ser votada após maior discussão entre o parlamento e a sociedade, a gente precisa enfrentar uma reforma tributária corajosa, não como foi a reforma da previdência que só prejudica os que mais necessitam, mas que coloque o dedo na ferida, que promova maior distribuição de renda e justiça social no nosso país.”

Ao ser questionado sobre impeachment do presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar defendeu que a posição do presidente da Câmara, nesse caso, é de analisar se “há fundamento jurídico que narre um crime de responsabilidade” e, se comprovado, colocar em discussão o afastamento. “Vamos analisar se houver narrativa de um crime de responsabilidade. O que não dá mais é o seguinte: a gente vota no presidente e se não tiver satisfeito é impeachment. Nós brasileiros precisamos ter mais cuidado, porque quando vota em uma pessoa que não está à altura do cargo você não tem justificativa para que esse governante saia. Impeachment deve ser sempre exceção e não regra.”