‘Judiciário está sendo vítima de campanha dura de desmoralização’, diz presidente da Ajufe

  • Por Jovem Pan
  • 04/10/2019 09h40 - Atualizado em 04/10/2019 11h00
Rodrigo Janot - Agência BrasilPara ele, situações como a revelação de Janot incentivam atitudes contra o Judiciário

O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mendes, comentou, nesta sexta-feira (4), o ataque sofrido pela juíza federal Louise Filgueiras, agredida, nesta quinta-feira (3), pelo Procurador da Fazenda Nacional, Matheus Carneiro Assunção, a facadas. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele relacionou o episódio a um momento de “desmoralização das instituições”.

“O ato individual esta inserido em um contexto de ataque as instituições. A preocupação da Ajufe é que estamos vivendo em uma era de extremismo, em uma polarização sem igual, e o Judiciário vem sendo vítima de uma campanha de desmoralização e desmobilização. Não estamos pré-julgando – o caso de ontem será julgado individualmente, de acordo com o Estado democrático de direito -, mas fazer de conta que não tem nenhuma relação co os desdobramentos das últimas semanas é fechar os olhos para a realidade”, comentou.

Além da “campanha de descrédito” das instituições, Mendes relaciona o caso às últimas revelações do ex-procurador geral da República (PGR), Rodrigo Janot, que revelou ter planejado matar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Segundo o presidente da Ajufe, informações iniciais da investigação do caso de ontem apontam que Matheus Carneiro Assunção disse que faria com a juíza “o que Janot não conseguiu fazer”.

“Está sendo apurado, pode ter sido um surto psicótico, mas é simbólico, porque semana passada o Janot acabou dando uma declaração nesse sentido e, agora, está com uma repercussão ainda maior porque ele está sendo desmentido. Do ponto de vista simbólico, isso ocorreu em um momento em que se acabou de divulgar e dar extrema publicidade a um ex-PGR que queria atacar um ministro do STF, isso desencadeia essa reação”, ressaltou.

Para ele, os ataques ao poder Judiciário podem motivar esse tipo de crime. “A campanha dura de desacreditar instituições permite que atos de loucura como o de ontem, atacar a figura de juízes. Quando você ataca simbolicamente um juiz, isso é muito ruim para a imagem do país, porque você está atacano um poder que é a base da democracia, da aplicação do Estado de direito”, finalizou.