Lava Jato terá ‘proteção’ com posse de Fux, avalia ex-ministra do STJ

Para Eliana Calmon, com perfil mais institucional, o ministro não entrará em confrontos políticos

  • Por Jovem Pan
  • 10/09/2020 10h07 - Atualizado em 10/09/2020 11h04
FERNANDO AMORIM/AGÊNCIA A TARDE/AEEliana Calmon reforça ainda que a operação sofre "ataques muito grandes a partir do próprio Ministério Público"

A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon, avalia que a gestão de Luiz Fux, que assume a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 10, será benéfica para a continuidade da Operação Lava Jato. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, a ex-corregedora nacional de Justiça explica como o perfil do ministro trará “certa proteção” para a força-tarefa. “No Supremo, existem ministros institucionais e conjunturais. Os institucionais são aqueles voltados para a instituição do STF, enquanto os conjunturais são mais ativistas e políticos. Fux é mais institucional, ele é um ministro que vem de carreira, sabe bem o comportamento de um magistrado e um perfil menos político. Ele é bastante acessível, não haverá confronto com políticos porque ele é voltado para as instituições. Neste perfil, a Lava Jato terá uma certa proteção e ataques menos danosos. Com o Fux as coisas vão melhorar”, avalia a ex-ministra.

Eliana Calmon reforça ainda que a operação sofre “ataques muito grandes a partir do próprio Ministério Público“, ressaltando que há, até mesmo entre acadêmicos, o desejo de que a Lava Jato e o combate à corrupção acabe. “Há o entendimento de alguns doutores no sentindo que este ataque aos políticos pela Lava Jato e o ataque as empresas gerou dois grandes problemas. O primeiro é a desmoralização da classe política, o segundo é o entendimento que a destruição das empresas pela força-tarefa gerou um impacto na economia e desemprego. Então estas pessoas entendem que a Lava Jato deve acabar”, explica. A força-tarefa da operação foi renovada até janeiro de 2021. A decisão foi proferida pela Procuradoria-Geral da República, chefiada por Augusto Aras, na quarta-feira, 9. Com a decisão, todos os 14 membros da força-tarefa seguirão designados à operação, sendo que 11 deles terão dedicação exclusiva, diz nota oficial.