Mesmo com embargo chinês, preço da carne continua alto; entenda o motivo

Custo alto de produção para pecuaristas e frigoríficos estão entre os motivos para a manutenção dos valores

  • Por Jovem Pan
  • 26/10/2021 09h22 - Atualizado em 26/10/2021 11h11
Divulgação/AbiecNa semana passada, o valor da arroba do boi gordo chego ao menor patamar desde dezembro, mas diminuição não atinge aos consumidor final

Na expectativa de retomada das negociações com a China, pecuaristas estão adiando o abate dos animais e os frigoríficos têm segurado o produto em estoque. Mesmo com o controle dos casos de vaca louca no Brasil, a interrupção na importação dos produtos brasileiros está mantida pelo país asiático, o que tem impactado na cadeira produtiva brasileira. Com o embargo, desde o início de setembro, a oferta da carne dianteira do boi aumentou. Na semana passada, o valor da arroba do boi gordo chego ao menor patamar desde dezembro do ano passado. Mesmo assim, os preços continuam elevados nas prateleiras. Segundo o pesquisador de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da ESALQ, Thiago Bernardino, os pecuaristas e os frigoríficos continuam com o custo de produção alto, o que justifica a manutenção dos valores.

“A indústria vai buscar manejar essa carne, estocar essa carne na expectativa de uma volta das compras chinesas e também para não derrubar muito os preços, para não derrubar a margem da indústria. Vale lembrar que para manter a carne congelada, tem um custo energético, que está caro, e ela vai precisar manter o padrão dessa carne”, disse. Ao mesmo tempo, os varejistas têm procurado recuperar as margens operacionais, o que deve fazer com que a queda nos preços da carne bovina demore para chegar ao consumidor final, explica o diretor do Supermercado Rede Economia, Vitor Altenfelder.

“No varejo, o impacto foi de uma queda no consumo por causa do aumento de preço e o poder de renda do consumidor ficou estagnado pela inflação, então tenho menos giro de estoque. Não consigo colocar para o consumidor final uma melhora de preço do que tenho já dos frigoríficos”, afirma. Vitor acredita que as negociações entre Brasil e China devem se estender até o ano que vem, já que o país asiático se aproveitou da situação para renegociar contratos de carne com outros países, como a Austrália.

*Com informações do repórter Victor Moraes