Moro coloca em dúvida denúncias de tortura no Pará

  • Por Jovem Pan
  • 12/10/2019 11h31
Agência BrasilMinistro disse que nenhum indício de tortura foi encontrado em exames

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, voltou a colocar em dúvida as denúncias de tortura em presídios no Pará feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) no estado. Moro afirmou, nesta sexta-feira (11), em São Paulo, que procuradores nunca estiveram nos locais, ao contrário dele, que visitou um dos presídios na última segunda-feira (7).

Em relatório, o MPF apontou uma série de casos de tortura que teriam sido executados por agentes federais nos presídios paraenses. Entre as práticas estariam empalamento, perfuração dos pés de presos com pregos, espancamentos e até disparos de arma de fogo.

O sistema penitenciário do Pará está sob intervenção desde o massacra de Altamira, que deixou mais de 60 presos mortos em julho. Segundo Moro, mais de 60 presos já passaram por exames no Instituto Médico Legal (IML) e nenhum indício de tortura foi encontrado.

“Vários desses presos foram levados para exame no IML, tá, mais de 60 deles foram levados, e não foram constatadas lesões compatíveis com as alegações de tortura ou de maus tratos. Então é um assunto muito grave, que tem que ser apurado, e se for verdadeiro os responsáveis vão ser punidos. Já não me consta, por exemplo, que os representantes do Ministério Público Federal estiveram no local. Eu estive no local”, afirmou.

Ele também comentou as críticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao inquérito da Polícia Federal (PF) que resultou no indiciamento do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Bolsonaro reclamou de exagero da PF e falou em má-fé dos investigadores.

O ministro reafirmou que a PF vem atuando com autonomia no caso. “A Polícia Federal vem realizando, nesse e em todos os casos, o seu trabalho com autonomia. E é isso que vai continuar ocorrendo. O presidente respeita a instituição e respeita essa autonomia, ainda que possa estar insatisfeito em relação ao teor da situação.”

Durante fórum com investidores, Moro também admitiu dificuldades na negociação do pacote anticrime no Congresso Nacional. Ele espera ampliar o diálogo com os parlamentares após a conclusão reforma da Previdência.

*Com informações da repórter Victoria Abel