Mourão lamenta ‘falta de conversa’ entre as Forças Armadas e agências ambientais

Vice-presidente reconheceu que, inicialmente, houve uma dificuldade nas operações de combate ao desmatamento na Amazônia por falta de diálogo entre as partes

  • Por Jovem Pan
  • 25/11/2021 06h43 - Atualizado em 25/11/2021 09h01
FRANCISCO STUCKERT/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOAusente na COP26, o vice-presidente Hamilton Mourão alegou que só age a partir das ordens de Bolsonaro

Um dia depois de admitir culpa por falha no combate ao desmatamento da Amazônia, o vice-presidente Hamilton Mourão lamentou o que chama de “falta de conversa”. Em audiência na Câmara dos Deputados, ele defendeu ações coordenadas das agências ambientais. “Deixei claro que, no primeiro momento, essas operações não foram bem sucedidas por falta de conversa entre os elementos das Forças Armadas e das agências ambientais, seja Ibama, ICMBio, Funai“, disse. O vice-presidente destacou que a contratação de fiscais ajuda a coibir o desmatamento e ressaltou que as agências ambientais precisam de mais recursos. “Foi autorizada a contratação de 700 pessoas para as duas agências, Ibama e ICMBio, e isso está em processo de execução. Conforme disse também, tem que haver uma melhora no orçamento destinado a essas agências, de modo que elas tenham, além do pessoal, o material necessário para cumprir a sua tarefa.”

Questionado sobre a relação com o presidente Jair Bolsonaro, o vice rebate os críticos do chefe do Executivo. Ausente na COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre Clima, Hamilton Mourão alegou que só age a partir das ordens do mandatário. “O vice-presidente não tem função dentro do governo. O governo, de acordo com a Constituição, ele é exercido pelo presidente e seus ministros. Ele existe para substituir o presidente em seus afastamentos e para cumprir missões eventuais. O presidente não me deu a missão de ir à COP26 e, evidentemente, eu não fui”, disse. Durante a audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Hamilton Mourão citou os processos de regularização fundiária. Para o vice-presidente, o combate ao desmatamento na Amazônia tem de ser uma política governamental permanente.

*Com informações da repórter Camila Yunes