Mourão vê ‘hipocrisia’ em recusa de volta às aulas nas universidades federais

Após repercussão negativa, o Ministério da Educação anunciou a revogação da portaria que determinava o retorno das atividades presenciais a partir de janeiro

  • Por Jovem Pan
  • 04/12/2020 07h42 - Atualizado em 04/12/2020 08h52
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 03/11/2020Mourão reconhece, no entanto, que há um aumento significativo no número de casos da Covid-19 no país

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, classificou como “hipocrisia” a pressão para manter as aulas das universidades federais, institutos federais e faculdades particulares suspensas. Após repercussão negativa, o Ministério da Educação decidiu revogar a portaria que havia sido publicada na quarta-feira, 2, e autorizava o retorno das atividades a partir de janeiro. Na avaliação do vice-presidente, é preciso ter coerência para entrar no debate sobre essa questão. “Eu acho que há uma certa hipocrisia nisso aí, porque a mesma turma quer não quer voltar para aula, vai para balada, vai para bar. Então vamos ser coerente nas coisas, se não pode não pode para tudo, tá bem?”, afirma. Mourão reconhece, no entanto, que há um aumento significativo no número de casos da Covid-19 no país – ele diz não saber se o aumento é consequência das eleições ou de um relaxamento da população de maneira geral. Mourão afirma ainda que a decisão sobre fechar o comércio e impor restrições de circulação compete a governadores e prefeitos, que, nas palavras do vice, “tem um sentimento em relação a situação que estão enfrentando”.

“Aquelas situações que nós vivemos durante os meses de abril, maio e junho, elas provavelmente vão retornar, hospitais de campanha provavelmente terão que ser colocados em execução. Eu acho que lockdown é impossível de ser aplicado, principalmente em cidades do tamanho do Rio de Janeiro, e, no final, ele gera mais controvérsias do que aspectos positivos”, disse. O vice-presidente também comentou nesta quinta o resultado do PIB do terceiro trimestre. Para Mourão, a alta de 7,7% “bateu na trave” do que era esperado pelo governo. Ele acredita que a recuperação após o choque provocado pela pandemia será diluída nos próximos resultados. O general reconhece que fechar o ano com resultado negativo no PIB é “muito ruim” para o país, mas lembra que a queda será menor do que projetavam instituições internacionais.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado