MPF denuncia irmãos Efromovich e Sérgio Machado por esquema na Transpetro

Eles são acusados, no âmbito da Operação Lava Jato, por ilícitos cometidos entre 2008 a 2014

  • Por Jovem Pan
  • 25/09/2020 07h01 - Atualizado em 25/09/2020 07h59
Antonio Cruz/Agência BrasilSegundo o MPF, o presidente da Transpetro deixava claro que “todas as empresas que firmavam contratos com a estatal ‘colaboravam’ com um percentual de cada contrato"

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, por corrupção e lavagem de dinheiro na construção de navios, em um prejuízo estimado em R$ 650 milhões. Os procuradores acusam Sérgio e os irmãos Germán e José Efromovich, donos do estaleiro Mauá, no âmbito da Operação Lava Jato, por ilícitos cometidos entre 2008 a 2014, no Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro, conduzido pelo então presidente da estatal Sérgio Machado. Em 2007, o estaleiro Mauá venceu a licitação para construção de quatro navios. Um ano depois, quando Germán negociava a contratação direta do Estaleiro Ilha, do mesmo grupo, para construção de quatro navios, Machado teria solicitado ao empresário o pagamento de propina equivalente a 2% do valor dos contratos. Segundo o MPF, o presidente da Transpetro deixava claro que “todas as empresas que firmavam contratos com a estatal ‘colaboravam’ com um percentual de cada contrato”.

Para realizar o pagamento das vantagens indevidas, Germán propôs negócios a Machado e inseriu o valor das propinas em cláusulas contratuais. O esquema de corrupção se repetiu na contratação de 12 navios, mas os procuradores ressaltam que o estaleiro entregou apenas um navio, o resultou em prejuízos à Transpetro estimados em R$ 650 milhões, em razão de adiantamentos realizados pela estatal. Em agosto, os empresários Germán Efromovich e José Efromovich, ex-donos também da Avianca Brasil, foram presos em São Paulo, na investigação sobre o esquema de corrupção com repasse de R$ 40 milhões a Sérgio Machado. As duas prisões preventivas foram convertidas em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, em razão da pandemia do coronavírus.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos