‘Não esperem que instabilidade da democracia venha das Forças Armadas’, diz general Etchegoyen

Ministro-chefe do GSI no governo Michel Temer acredita que troca nos comandos do Exército, Aeronáutica e Marinha não deve gerar mudanças de orientação das FFAA

  • Por Jovem Pan
  • 01/04/2021 08h48
Agência Brasil"Conheço os três novos comandantes e eles são absolutamente capazes e competentes", disse o general da reserva

O general da reserva Sérgio Etchegoyen, que foi ministro-chefe do GSI no governo Michel Temer, não acredita em um novo golpe militar no Brasil. “Acho impróprio e injusto com a democracia que construímos que, em qualquer soluço, se possa imaginar que as Forças Armadas vão tomar essa ou aquela atitude. Estamos há quatro dias da troca dos ministros. Alguém tem notícia de general insurgindo? Não tem. Não esperem que venha das Forças Armadas a instabilidade da nossa democracia.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Etchegoyen disse que se entristece muito com a incerteza instalada e com a ideia que as pessoas tem sempre sobre a democracia ser tão frágil e imatura. “Não aconteceu, não acontece não vai acontecer. Não sei de outra nação que teria passado tudo o que passamos sem ter um solavanco institucional. O Brasil tem tantas outras fontes de instabilidade e nenhuma delas está nos quartéis, nas bases aéreas ou navais”, completou.

Para o ex-ministro, a troca nos comandos do Exército, Aeronáutica e Marinha não deve gerar mudanças de orientação das FFAA. “Pode ter mudanças de estilo e prioridade, mas as orientações gerais eu acho que não tem porque ter mudanças bruscas. Conheço os três novos comandantes e eles são absolutamente capazes e competentes”, disse o general. Sobre a troca na pasta da Defesa, de Fernando Azevedo e Silva para Braga Netto, Etchegoyen disse que esperava que o cargo fosse ocupado por um civil.

“Isso não tem a ver com competência ou capacidade dos militares, mas tem a ver com a capacidade de interlocução com o presidente da República, com o Congresso e com o Judiciário conquistada ao longo da caminhada”, explicou. Mas, segundo ele, o ideal é que se tenha sempre um bom ministro — independente se civil ou militar. “[Joaquim] Silva e Luna e Fernando Azevedo e Silva foram absolutamente leais ao presidente e trouxeram qualidade para a pasta”, finalizou.