‘Não há ambiente para votação de reformas em 2022’, afirma Ricardo Barros

Deputado acredita que o interesse pelas eleições vai nortear os partidos e lamenta que o governo tenha enfrentado dois anos de ‘Congresso fechado’ pela pandemia: ‘Não pudemos avançar’

  • Por Jovem Pan
  • 22/12/2021 10h24 - Atualizado em 22/12/2021 13h15
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO Deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara Barros lamentou que o presidente Jair Bolsonaro tenha enfrentando em seu governo dois anos de pandemia

O deputado federal Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, acredita que as reformas não serão votadas no próximo ano. Embora estejam entre os principais pontos defendidos pela área econômica do governo, a avaliação é que 2022 não terá um ambiente propício para a apreciação das matérias, já que será um ano eleitoral. “Não vejo nenhuma possibilidade de votação em ano eleitoral porque os partidos se posicionam no ano eleitoral no interesse dos seus candidatos, das suas candidaturas. No primeiro turno da PEC dos Precatórios tivemos 25 votos de deputados da oposição, porque eles entenderam a lógica do processo, para garantir o Auxílio Brasil. No segundo turno, por ordem de Sergio Moro e Ciro Gomes, eles votaram contra, porque atrapalhava o projeto eleitoral deles. Então deixa os pobres para lá e vamos olhar a eleição. É isso que vai nortear os partidos em 2022. Portanto, não há ambiente para reformas”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News.

Barros disse que as reformas são muito importantes para o Brasil e lamentou que o presidente Jair Bolsonaro tenha enfrentado dois anos de pandemia em seu governo. “Ficamos praticamente com o Congresso fechado e não pudemos avançar nas articulações”, acrescentou. Ainda sobre as negociações com o Legislativo, o deputado negou que as emendas de relator, também chamadas de orçamento secreto, sejam parte dos financiamentos de campanha e exaltou a importância do Fundo Eleitoral para que “qualquer cidadão brasileiro tenha direito a pleitear um cargo público”. “Os R$ 16 bilhões de emendas de relator não são financiamento de campanha, são atendimento de demandas legítimas. […] Financiamento são os recursos do Fundo Eleitoral, esses são gastos para que o povo tenha acesso às plataformas”, pontuou.

O líder do governo falou ainda sobre as eleições de 2022. Na visão dele, a divisão da chamada terceira via em vários candidatos fará com que nenhum deles conquiste espaço suficiente. “A terceira via tem excelentes opções, várias candidatas, todos eles querem a união da terceira via, desde que seja ele a opção. […] Com a divisão da terceira via em várias possibilidades, nenhuma delas terá espaço político para alcançar Lula e Bolsonaro na intenção de voto. E no segundo turno, Bolsonaro é o franco favorito”, finalizou.