‘Notícia-crime é tentativa de me atingir e de atingir o presidente’, diz Salles

Ministro do Meio Ambiente se defendeu das acusações do delegado da PF Alexandre Saraiva de que teria atuado para atrapalhar a apuração da maior apreensão de madeira ilegal do Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 30/04/2021 09h54 - Atualizado em 30/04/2021 16h28
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDORicardo Salles afirmou que não "fez nada de errado": "Não devo nada para vagabundo nenhum"

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, rebateu nesta sexta-feira, 30, as acusações feitas pelo delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva sobre sua atuação com os madeireiros na Amazônia. Segundo ele, a apresentação da notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) conta uma “história vergonhosa” com o objetivo de “criar fatos que não existem”. “Tenho me mantido bastante contido em relação aos fatos porque o que consta na notícia-crime é mentira de ponta à ponta”, afirmou, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, ressaltando que as declarações buscam indiretamente atingir o presidente Jair Bolsonaro. “Essas acusações do delegado são uma tentativa ridícula de criar algum fato para me atingir e com isso atingir o presidente da República. Só que como eu não não devo nada e não fiz nada errado, tenho absoluta consciência daquilo que fiz e faço como ministro do Meio Ambiente, posso olhar na cara das pessoas como estou aqui e dizer o que eu quiser. Não devo nada para vagabundo nenhum.”

Salles esclareceu o posicionamento do governo e a motivação da reunião em Brasília, que contou a participação de senadores, deputados, além do secretário do Ministério da Justiça, procurador-geral do Estado de Roraima e outras autoridades. De acordo com ele, o foco do encontro era ouvir os madeireiros, que estavam “há 100 dias com a carga apreendida” e sem possibilidade de apresentação de uma defesa. “Eles foram à secretaria de governo pedir para ajudá-los”, declarou o chefe do Meio Ambiente, ressaltando que a posição foi meramente política. “Precisava ser dada resposta e não deixar a carga apreendida por 100, 120, 140 dias para que lá na frente, se eventualmente for ilegal, nem destinação é possível dar. E se ela for legal pior ainda, porque aí terão dado prejuízos às pessoas, desempregados na região eventualmente por uma decisão que tardou”, afirmou. “Se tiver ilegalidade puna todos eles, o que não pode é ter sentimento que estão sendo perseguidos”, completou.

Essa posição do ministro Ricardo Salles, que na visão do delegado Saraiva buscou atrapalhar o trabalho da Polícia Federal e beneficiar a atuação ilegal dos madeireiros, pode se tornar objeto de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. Informalmente batizada como “CPI da Devastação Ambiental”, a comissão teria como foco investigar as decisões e posturas tomadas pelo ministro após a maior apreensão de madeira ilegal do Brasil. Além disso, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo, também pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma manifestação sobre o tema, considerando as acusações contra Salles de “gravidade incontestável”. O ministro, no entanto, garante que dará respostas consistentes. “Vou apresentar as minhas razões, responder as mentiras que tem sido vinculadas como retaliação, isso vai ser respondidos nos autos e a resposta é bem consistente.”