Nova cepa do coronavírus demanda mais leitos de UTI do que leitos comuns, diz Vinholi

O secretário do Desenvolvimento Regional nega o retorno dos hospitais de campanha e explica que a prioridade é ampliar as vagas em estruturas de saúde permanentes

  • Por Jovem Pan
  • 04/03/2021 08h35 - Atualizado em 04/03/2021 09h51
Reprodução / FacebookSegundo Vinholi, pela gravidade dos casos, as infecções pela nova variante exige que os pacientes sejam internados em leitos de alta complexidade

A nova cepa do coronavírus eleva a necessidade de internações em leitos de terapia intensiva. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 04, o secretário do Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, explicou a relação da alta das hospitalizações com o avanço da variante P.1, já registrada em algumas cidades pelo país. Segundo ele, pela gravidade dos casos, as infecções pela nova variante exige que os pacientes sejam internados em leitos de alta complexidade. “Seguimos com a premissa de garantir atendimento para todas as pessoas. O governador determinou que todo novo leito de UTI possível seja colocado e nós conversamos isso com os prefeitos. Ocorre que a nova cepa ela traz a necessidade, pela gravidade dos casos que a gente tem visto, de leitos de mais fortes, leitos de UTI, que são diferente dos de enfermaria que permeavam os hospitais de campanha colocados no início da pandemia”, disse, ao ser questionado se o fechamento das estruturas provisórias teria sido um erro. De acordo com Vinholi, alguns hospitais de campanha chegaram a ser reativados, como o de Heliópolis, e outros instalados em cidades do interior, como Jaú e Araraquara. No entanto, nesse momento, a prioridade é ampliar as vagas em UTIs de hospitais já existentes. 

A preocupação com aumento de vagas para terapia intensiva surge com o avanço da pandemia em São Paulo e em todo o país. Segundo o secretário, o Estado enfrenta as “semanas decisivas” da pandemia, com registro de 93 novos pacientes internados diariamente. “Saímos de 69% de ocupação para 75% em uma semana e chegamos ao recorde de pacientes [internados]. São 7.415 pacientes em UTIs no Estado de São Paulo”, afirmou, citando a importância das novas restrições e do apoio da sociedade para conter a avalanche de casos e evitar um colapso no sistema de saúde. “Precisamos desacelerar a nova cepa que chegou em São Paulo, assim como atingiu todo país, e ao que nos demonstra traz uma aceleração, uma relação entre casos e internações. Estive em locais como Araraquara em que vimos gente mais jovem internada, entubada, ao longo desse período. É fundamental que a gente possa ter uma desaceleração no mês de março, que se apresenta como mês mais forte da pandemia em São Paulo. Aumentamos o número de leitos, mas essa relação de pessoas internadas que vem a óbitos ainda é muito grande, portanto, teremos um mês muito duro pela frente.”

Para conter a alta da Covid-19, o Estado de São Paulo retorna para a Fase Vermelha, considerada a mais rígida, a partir deste sábado, 06. O recuo na classificação do Plano São Paulo em todas as regiões foi anunciado nesta quarta-feira, 03, pelo governador João Doria. De acordo com Vinholi, a decisão por começar o novo faseamento apenas no final de semana visa dar tempo para que toda a população se programe para os próximos dias de isolamento social. “Hoje e amanhã as pessoas se programam, conversam com familiares, no trabalho estabelecem novos parâmetros para juntos superarmos esse período”, afirmou. Durante os 14 dias de quarentena, apenas serviços essenciais terão autorização para funcionar até as 20h. Após o período, das 20h às 5h, fica vigente o toque de recolher em todo o Estado. Diferente do ano passado, agora, as escolas continuam abertas durante o período mais rígido da quarentena. A medida busca minimizar os impactos para os estudantes em situação mais vulnerável. “Sabemos que um número considerável de crianças depende da escola para sua segurança alimentar, muitas vão às escolas dependendo dessa merenda. Então deixamos as escolas abertas para alunos vulneráveis, que têm necessidade de alimentação escolar, dificuldade acesso a tecnologia, defasagem de aprendizagem, que responsáveis trabalhem em serviços essenciais, ou seja, não têm onde deixar as crianças, e alunos com saúde mental sob risco. Os pais definem se a criança volta ou não [para a escola]. Estamos mantendo as escolas abertas pelos alunos vulneráveis para dar assistência nesse período.”