‘Nunca quis privilégio por ser filho do presidente’, diz Flávio Bolsonaro após decisão do STJ

Em entrevista à Jovem Pan News, senador fala em ‘linchamento’ e perseguição, avalia peso do sobrenome na investigação e nega acusações: ‘Nada foi encontrado contra mim’

  • Por Jovem Pan
  • 10/11/2021 10h28 - Atualizado em 10/11/2021 13h29
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDOFlávio Bolsonaro alega que o processo ganhou uma proporção maior pelo peso do seu sobrenome e fala em perseguição

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou nesta terça-feira, 9, todas as decisões proferidas pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, contra o senador Flávio Bolsonaro no caso das “rachadinhas“, isto é, quando um político se apropria de parte dos salários dos funcionários do gabinete. A Corte acatou o recurso movido pela defesa do parlamentar ao entender que o processo deveria ser movido na segunda instância, não na primeira. Para o senador, a decisão tem impacto semelhante a uma “alta médica”. “Todas evidências, todos depoimentos, todas provas, meu crescimento patrimonial, tudo que está dentro dos autos são cristalinos em apontar que não tive responsabilidade nenhuma. Não havia crime por minha parte. É um sofrimento que só quem passa pode entender, a família sofre junto. Me sinto como se estivesse tido alta de um médico. […] Com essa decisão do STJ, eu novamente posso voltar à vida normal, ainda com uma cicatriz, uma ferida fechada, mas vou ter mais tempo e liberdade”, afirmou o senador ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan.

Flávio Bolsonaro alega que o processo ganhou uma proporção maior pelo peso do seu sobrenome e fala em perseguição. “Mais de 3,5 anos de investigação e nada foi encontrado contra mim. Uma série de atrocidades foram cometidas, sempre denunciei à imprensa. Uma processo, que era para ser sigiloso, se tornou um linchamento, distorcendo os fatos com o intuito de desgastar o presidente. […] Nunca quis privilégios por ser senador ou filho do presidente, só que a Constituição e a legislação foram rasgadas”, afirma Flávio Bolsonaro, que aponta irregularidades na investigação. “Começou a ser investigado em 2018, quando eu era deputado estadual. Portanto, o lugar certo [do processo] seria com o procurador-geral de Justiça do Tribunal do Rio de Janeiro”, completou.

“No jogo do poder, há situações que se criam dificuldades para manter a pessoa sob rédea curta, tentaram fazer isso comigo. Nunca houve rachadinha no meu gabinete. Da minha parte, nunca dei dinheiro e nunca pedi”, ressaltou o senador, que destacou sempre ter uma equipe “enxuta”, com até cargos vagos. “Se tivesse [esquema de rachadinha], jamais ficariam vagos”, completou. Flávio Bolsonaro também mencionou que a prática de recolhimento de parte dos salários de funcionários, embora não seja correta, “sempre existiu” em diversos gabinetes e, até mesmo, em outros Poderes. “Cabe a quem tem a competência de investigar, de promover provas. É não escolher alvos. Aqueles que têm indícios, que sejam investigados”, concluiu.