Pacientes denunciam cirurgião suspeito de erros em plásticas; médico nega acusações

Modelo de 29 anos conta que teve infecção bacteriana, mas não foi avisada imediatamente pelo médico: ‘Tinha um buraco no meu nariz’

  • Por Jovem Pan
  • 05/11/2021 07h50 - Atualizado em 05/11/2021 10h17
Reprodução / Instagram @nwblurSarah Cardoso fez tratamento com antibiótico intravenoso, se submeteu a nova cirurgia e gastou mais de R$ 70 mil

A Polícia Civil investiga denuncias sobre atuação do cirurgião Alan Landecker, suspeito de erros médicos durante cirurgias plásticas no nariz de pacientes, as chamadas rinoplastias. A modelo Sarah Cardoso de 29 anos, conta que buscou o cirurgião para fazer uma correção no nariz. Ela já tinha feito outro procedimento, mas não gostou do resultado e relata ter ficado com dificuldades para respirar. A cirurgia com Landecker foi em outubro de 2020, um mês após, ela observou que algo estava estranho. “Tinha um buraco dentro do meu nariz e não fechava, estava com a cartilagem exposta. o médico mandava eu passar um pomada para fechar. A ponta do meu nariz estava sempre muita vermelha e inchado, mas eu achava que era normal, porque fazia pouco tempo que tinha operado”, diz a modelo. Segundo ela, o nariz começou a tomar formatos diferentes, acompanhada de dor no local. Foi então que decidiu procurar o cirurgião que, de acordo com a modelo, sabia que ela estava com uma infecção bacteriana, mas não a avisou.

“No prontuário que eu peguei com ele confirma que sabia que eu estava com infecção em dezembro, mas não me alertou. Ele me alertou só no final de janeiro. Então, ele foi muito imprudente, poderia ter acontecido várias coisas se ele fosse verdadeiro comigo”, diz Sarah. Ao todo, foram 60 dias com tratamento com antibiótico intravenoso. A modelo chegou a fazer uma segunda cirurgia, gastou mais de R$ 70 mil e viu novos problemas aparecerem. A situação só melhorou quando mudou de profissional. Nesse meio tempo, ela fez postagens nas redes sociais e descobriu várias outras pacientes relatando um quadro clínico muito parecido. Um grupo no Whatsapp de ex-pacientes que compartilham insatisfação com o médico tem, atualmente, 17 pessoas, mas já chegou a ter quase 50. A Jovem Pan teve acesso a cinco boletins de ocorrência de diferentes vitimas. Outro jovem, que não quis se identificar, foi operado por Alan Landecker em março de 2020 e depois de novo em maio deste ano. Ele diz que teve infecção na região do septo nasal após o procedimento e o quadro ainda piorou.

“Logo depois da segunda cirurgia senti que minha respiração não estava tão boa”, relata. Os casos estão sendo apurados pela Polícia Civil. As vítimas estão sendo convocadas a prestar esclarecimentos e o médico ainda não foi ouvido. O Conselho Regional de Medicina do Estado de são Paulo informou que está investigando o caso, mas as ações ocorrem em sigilo, conforme determina a lei. Em nota, os advogados do cirurgião afirmaram que as acusações são falsas e oportunistas, que os pacientes não teriam seguido orientações medicas. Eles afiram que há imagens que comprovam o bom resultado dos procedimentos e que as complicações foram posteriores e provocadas por bactérias tipicamente hospitalares. Os advogados destacaram que Alan Landecker tem 20 anos de carreira e que as calunias não passarão impune e que algumas pessoas estão sendo acionadas judicialmente.

*Com informações da repórter Carolina Abelin