Parlamentares voltam ao Senado para ouvir mais testemunhas na CPI da Covid-19

Diretor da Anvisa, ex-secretário de Comunicação Social e representantes da farmacêutica Pfizer devem falar sobre possíveis omissões do Governo Federal no combate à pandemia

  • Por Jovem Pan
  • 09/05/2021 09h17
Jefferson Rudy/Agência SenadoCPI da Covid-19 foi instalada na última terça-feira, 27, e tem como relator o senador Renan Calheiros

A CPI da Covid-19 no Senado vai ouvir, nesta semana, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, o ex-secretário de Comunicação Social, Fábio Wajngarten e representantes da farmacêutica Pfizer. O depoimento de Barra Torres estava marcado para a última quinta-feira, 6, mas foi adiado para terça-feira, 11, porque a sessão com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, levou mais tempo do que o esperado. Já Wajngarten, que recentemente fez críticas à gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, deve ser ouvido na quarta. No dia seguinte, 13 de maio, representantes da farmacêutica Pfizer vão comparecer diante dos parlamentares.

Esta será a segunda semana de depoimentos de testemunhas na Comissão. Já foram ouvidos os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich e o atual chefe da Pasta de Saúde, Marcelo Queiroga. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que o governo federal tentou alterar a bula da cloroquina para que fosse indicada no tratamento da Covid-19. Mandetta disse que não ficou claro de quem partiu a ordem. “Pedi uma reunião com ele. Havia sobre a mesa por exemplo um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido naquela reunião que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa, colocando na bula a indicação de cloroquina para coronavírus. Foi, inclusive, o próprio presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, que tava lá e falou ‘isso não’. E Jorge Ramos falou ‘isso aqui é uma sugestão’, mas é uma sugestão de alguém. Alguém pensou. Se deu ao trabalho de colocar aquilo em formato de decreto”, pontuou.

Segundo Mandetta, o presidente da República, Jair Bolsonaro, tinha assessoramento paralelo sobre saúde. Já o sucessor, Nelson Teich, afirmou que não recebeu ordens para mudar a bula da cloroquina e não soube dizer se o presidente tinha aconselhamento de outras pessoas. Teich contou que deixou o cargo por discordar do uso de cloroquina e pela falta de autonomia no comando da pasta. “No final eu percebi ao longo daquele período, e eu não precisava de um período longo para perceber isso, que eu não teria a autonomia necessária para conduzir como eu acreditava que fosse a forma correta”, afirmou. Questionado pelo real motivo da demissão dele, Teich foi categórico: “O pedido específico foi pelo desejo de ampliação do uso da cloroquina. Esse era um problema pontual, mas refletia uma falta de autonomia e uma falta de liderança”, pontuou. A sessão que ouviu o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, teve clima tenso, bate boca e a defesa do cardiologista a questões técnicas. Queiroga desviou de perguntas sobre a cloroquina, o que irritou os parlamentares. Ao contrário de Mandetta e Teich, Queiroga garantiu que tem autonomia para chefiar o Ministério da Saúde. Ao ser questionado pelo relator, o senador Renan Calheiros, sobre vacinas, o ministro foi corrigido pelo secretário-executivo da Pasta, Rodrigo Otávio da Cruz. Ele afirmou que 562.972.040 doses de vacinas estavam contratadas no calendário atualizado do site, mas logo corrigiu que o número é de 430 milhões. De acordo com Marcelo Queiroga, o governo está prestes a fechar um novo contrato com a Pfizer para mais 100 milhões de doses.

*Com informações da repórter Nanny Cox