PF vê ‘fortes indícios’ de participação de Salles em contrabando florestal

Em documento ao Supremo, a Polícia Federal também cita indícios de que o presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim, cometeu crime de facilitação de contrabando e de advocacia administrativa

  • Por Jovem Pan
  • 26/05/2021 08h52 - Atualizado em 26/05/2021 10h06
Reprodução/TwitterA Polícia Federal relata ainda que servidores que atuaram em prol das exportadoras de madeira ilegal foram beneficiados por Salles

A Polícia Federal (PF) afirmou, em documento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que vê “fortes indícios” de que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteja envolvido em um “grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais”. O conjunto de provas da Operação Akuanduba, deflagrada na quarta-feira passada, inclui relatos de reuniões com madeireiros, alterações nas regras de fiscalização, mensagens de WhatsApp, depoimentos de testemunhas e movimentações financeiras atípicas. Segundo a PF, desde 2019, houve operações suspeitas no escritório de advocacia do qual Salles é sócio. Os agentes investigam se o ministro cometeu os crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Quando a operação veio a tona, Salles chamou a ação de “exagerada” e negou envolvimento em exportação ilegal de madeira. “Essas ações jamais, repito, jamais aconteceram. O Ministério, e o Ibama da mesma forma, sempre procurou agir de acordo com as regras e isso ficará demonstrado nos autos do inquérito.”

No ofício ao STF em que justifica a investigação, a Polícia Federal também diz ter indícios suficientes para concluir que o presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim, cometeu o crime de facilitação de contrabando e de advocacia administrativa, quando há favorecimento de interesses particulares dentro do governo. Os policiais ainda apuram se ele praticou corrupção passiva e prevaricação, crime praticado por funcionário público contra a administração. A Polícia Federal relata ainda que servidores que atuaram em prol das exportadoras de madeira ilegal foram beneficiados por Salles com “nomeações para cargos mais altos”, enquanto “servidores que se mantiveram firmes em suas posições técnicas foram exonerados por ele”.

*Com informações da repórter Letícia Santini