Possível medida do governo para favorecer caminhoneiros preocupa indústria química

Segundo o presidente-executivo da Abiquim, a revogação do regime especial deve impactar em US$ 2,2 bilhões o setor

  • Por Jovem Pan
  • 02/02/2021 08h06 - Atualizado em 02/02/2021 10h57
BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDOPara o presidente-executivo da Abiquim, a decisão trará um aumento em cadeia aos produtores e consumidores

A indústria química condena proposta do governo de Jair Bolsonaro de acabar com o Regime Especial do setor, o REIQ, para atender as reivindicações dos caminhoneiros. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Ciro Marino, ressalta que o mercado interno foi abastecido, em 2020, com 46% de produtos importados justamente pela alta carga tributária, que retira a competitividade no Brasil. Ciro Marino coloca que o crescimento de 11% no ano passado, tem participação de apenas 2,4% da produção nacional.

“A indústria não consegue competir nem com os seus tributos, que são alocados diretamente, imaginando que a indústria paga acima de 40% de impostos, tem que concorrer com empresas lá fora que estão trabalhando com 20% ou menos. Então já partimos de um sistema tributário que compromete a iniciativa privada, esse é o primeiro ponto e o segundo são os insumos. Ainda operamos com gás natural, que custa cerca de quatro vezes mais do que pagam os nossos concorrentes europeus e americanos.

Ciro Marino descarta que o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) seja mera renúncia fiscal, benefício ou incentivo, e reforça que a medida existe desde 2013 pela ausência da reforma tributária. Segundo ele, a revogação deve impactar em 2,2 bilhões de dólares o setor. O presidente-executivo da Abiquim reforça que o setor é a base de todas as indústrias e haveria um aumento em cadeia aos produtores e consumidores.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos