Produção de sabão para moradores de rua ajuda na renda de mulheres em São Paulo

Projeto produz os higienizantes em barra e na forma líquida com óleo de cozinha usado, auxiliando aqueles que estão sem emprego na capital

  • Por Jovem Pan
  • 17/07/2021 09h39
Casa do Povo/Reprodução Projeto ajuda pessoas em situação de vulnerabilidade

Adriana Sumi tem 34 anos e é idealizadora do projeto “Sabão do Povo”. Ela conta que a iniciativa surgiu após saber por um amigo que a Prefeitura de São Paulo instalou no centro da cidade lavatórios públicos para os moradores de rua. “Entraram em contato pedindo para eu fazer sabão para distribuir porque a população de rua estava sem esses itens de higiene, então foi construído os lavatórios e no início não tinha o sabão para conseguir fazer a higienização correta, né?”, afirmou. A farmacêutica, que já sabia produzir sabão, passou a ensinar outras mulheres. Os produtos, feitos a partir de óleo de cozinha usado, passaram a ser doados para a população em situação de vulnerabilidade social. Produzido em barra e líquido, ele pode ser usado, principalmente, para lavar roupa, louça e na limpeza geral.

“E aí eu comecei a fazer em casa, com óleos usados das pessoas conhecidas, e depois, como a Casa do Povo fechou e eu faço parte de um dos coletivos da Casa do Povo, a gente abriu para ações emergenciais da pandemia. Foi nesse momento em que eu trouxe da minha casa para cá e começamos a fazer com as pessoas que iriam receber o sabão, que eram daqui do território”, lembrou. E no final do ano passado, elas decidiram vender parte dos produtos por um valor acessível. Com isso, o projeto se transformou em possibilidade de sustento para mulheres que ficaram  sem emprego durante a pandemia. Uma delas é a cuidadora de idosos Ana Eulália de 54 anos. “Para mim foi muito bom participar desse projeto, porque para quem não sabia fazer nada de repente aprende a fazer, a ver que pode virar dinheiro. Eu, sozinha, não consigo, mas com as outras meninas eu consigo, então a gente visa um lucro maior, cada vez maior, e me ajudar, que eu estava entrando em depressão já de ficar parada”, afirmou. A Dona Eulália explica que os produtos  são vendidos na Casa do Povo ou pela loja virtual do projeto, que faz entregas em toda cidade. As participantes também realizam rodas de discussões com temáticas sobre o meio ambiente, em conversa sobre a importância da reutilização do óleo de cozinha.

*Com informações da repórter Caterina Achutti