Seis meses depois do incêndio, cresce interesse de turistas por Notre-Dame

  • Por Jovem Pan
  • 15/10/2019 07h15
EFEReconstrução deve começar no segundo semestre de 2020

O incêndio na catedral de Notre-Dame, em Paris, completa seis meses nesta terça-feira (15). A reconstrução deve começar no segundo trimestre do ano que vem, mais rápido do que se imaginava. No início de 2020, o número de operários vai triplicar, mas isso só deve ocorrer após a conclusão de todos os procedimentos de segurança.

Nos últimos meses, os funcionários trabalharam na instalação de tetos temporários e na limpeza dos escombros. O trabalho foi feito de forma estratégica, porque além da fragilidade da estrutura após o incêndio, a onda de calor que atingiu a Europa provocou a queda de algumas pedras das paredes da Notre-Dame.

O professor de história da Arte, João Braga, explica que a maior preocupação é evitar novos desabamentos. “Numa época medieval, no período do gótico, quando se descobriu os arcos botantes, que são estacas na laterais, para segurar a parede, ótimo, segura. Mas ao mesmo tempo o peso do teto empurra para baixo e os arcos botantes seguram. Com a ausência do teto, tem o problema desses arcos estarem fazendo pressão para dentro e a possibilidade dessas paredes caírem.”

As autoridades também monitoram os níveis de chumbo nos arredores da Notre-Dame, já que o incêndio liberou o equivalente a 400 toneladas do metal. Os órgãos de Saúde garantem que nenhuma pessoa que foi exposta apresenta níveis excessivos de contaminação no sangue.

Seis meses depois do incidente, o coral e as missas foram remanejados para igrejas das redondezas, apesar de pedidos pela instalação de uma estrutura temporária em frente à Notre-Dame.

Mesmo com a Catedral fechada para visitas e equipada com andaimes, os turistas ainda se espremem às margens do Sena para fotos com o que o sobrou após o fogo. As vendas dos cartões postais com a imagem do monumento histórico e o turismo na capital francesa por si só aumentaram depois da tragédia de 15 de abril.

As obras que estavam expostas na Catedral foram encaminhadas para o Museu do Louvre, onde passam por processos de recuperação e restauro.

As doações prometidas quando as chamas ainda ardiam se concretizaram em grande parte e somam cerca de 800 milhões de euros. Resta saber agora se a Notre-Dame será refeita exatamente como era ou se algo novo ressurgirá das cinzas.

*Com informações da repórter Nanny Cox