Sem dinheiro, lojistas apelam para renegociação de aluguéis em shoppings

Cobrança do 13º aluguel e aplicação do IGP-M para a correção dos contratos são temas debatidos

  • Por Jovem Pan
  • 07/01/2021 06h40
Denner Ovídio/Estadão ConteúdoMesmo com a reabertura gradual do comércio, eles ainda não viram as vendas aquecerem

O ano de 2021 começou com uma tensão entre lojistas e shopping centers. Um dos motivos é a cobrança do 13º aluguel das lojas em dezembro, algo que está em contrato porque esse é o mês em que normalmente os shoppings funcionam até mais tarde e vendem mais. Mas essa não foi a realidade em 2020 por causa da pandemia do coronavírus. Outra razão é a aplicação do IGP-M para a correção dos contratos de locação. O índice subiu 23,14% no ano passado, acima da inflação oficial e das vendas.

Lojistas afirmam que essas medidas não deveriam ser aplicadas em um ano em que o setor teve queda nas vendas, além de restrições de horários e de público. Mesmo com a reabertura gradual do comércio, eles ainda não viram as vendas aquecerem, como esperado. Os donos de lojas reclamam ainda que as administradoras de shopping centers não estão aceitando debater essas questões de forma coletiva. O presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites, Tito Bessa, afirma que os lojistas não conseguirão arcar com estes custos. Ele lembra que as lojas ficaram meses fechadas e afirma que as administradoras não deveriam se ater apenas aos contratos. “Nós estamos em um momento atípico dos últimos 120 anos. Não suportamos pagar um décimo terceiro. A perda de venda foi entre 30% e 35% anual.”

Proprietário de lojas há quase 40 anos, Gilberto Azambuja diz que os lojistas estão abertos para negociar esses dois valores, mas que não conseguem conversar com os shoppings. “Nós estamos precisamos de fôlego para o shopping não ter vacância, não ter inadimplência e eu acho que é hora de a gente trabalhar em conjunto porque se eles continuarem assim, eles vão secar a vaca leiteira”, diz. Em nota, a Associação Brasileira de Shopping Centers afirma que o setor está aberto ao diálogo e tentando entender a realidade dos lojistas, caso a caso. De acordo com a associação, as administradoras de shopping centers abdicaram de mais de R$ 5 bilhões em adiamento e suspensão de despesas dos lojistas. A Abrasce finaliza dizendo que as situações de desacordo não refletem o real cenário do setor que é de apoio e comprometimento com os lojistas.

*Com informações da repórter Nicole Fusco