Setor portuário cresce, mas ainda sofre com burocracia e falta de estrutura

Especialista fala da importância do Brasil adotar medidas para ampliar a capacidade de exportação e fortalecer o comércio interno por transporte marítimo

  • Por Jovem Pan
  • 27/10/2021 06h57 - Atualizado em 27/10/2021 10h06
Amanda Perobelli/ReutersPorto de Santos é considerado o maior complexo portuário de toda a América Latina e o que mais movimenta contêineres no Brasil

O transporte marítimo é responsável por mais de 95% das cargas exportadas e importadas pelo Brasil. Atualmente, o setor portuário nacional conta com 34 portos públicos e 204 terminais privados. O setor portuário brasileiro movimentou 809,8 milhões de toneladas de janeiro a agosto deste ano, segundo dados da Agência Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (ANTAQ). Crescimento de 7,5% em comparação com o mesmo período de 2020. Do volume total de cargas movimentadas, 66% passaram pelos terminais privados e os outros 34%, pelos portos públicos. O principal é o Porto de Santos, considerado o maior complexo portuário da América Latina e o que mais movimenta contêineres no país, onde são transportadas as cargas de maior valor agregado. O secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, explica a importância do setor para a economia brasileira. “Mais de 80% do PIB brasileiro está concentrado em estados que têm limites com a costa do Brasil, se aproveitando dessa grande costa para o transporte de cabotagem, então, para distribuição de produtos dentro do Brasil, os portos são muito importantes”, afirma.

Somente a BTP, um dos mais de 50 terminais em operação no Porto de Santos, possui capacidade de movimentação anual de 1,5 milhão de TEUs, que é uma unidade de medida usada no transporte intermodal para dimensionar a capacidade de um contêiner. A estrutura se consolidou como o maior terminal de contêineres da América do Sul. São mais de mil metros de cais, o que permite receber até três navios de 366 metros de comprimento ao mesmo tempo. Com essas dimensões, o terminal atende embarcações para todos os continentes. Sozinho, o complexo portuário de Santos é responsável por aproximadamente 30% da corrente de comércio internacional brasileira. O presidente do porto, Fernando Biral, fala sobre os planos de privatização para ampliar a capacidade da estrutura. “Nós já realizamos quatro leilões e iremos realizar mais sete até o final de 2022. Teremos investimentos de mais de R$ 10 bilhões no Porto de Santos. A capacidade dele será ampliada de 162 milhões de toneladas para 240 milhões de toneladas até 2040”, afirmou.

Apesar dos avanços no setor portuário registrados nos últimos anos, o consultor em Infraestrutura, Adalberto Vasconcelos, explica que, para que o Brasil ganhe competitividade no cenário internacional, os portos precisam de melhorias. “Em termos de movimentação portuária, a gente representa apenas cerca de 1,2% das exportações. Tem que adotar medidas para tornar esses espaços dentro dos portos públicos mais atrativos, diminuir dos navios parados e das operações para que os nossos produtos cheguem lá fora muito mais competitivos”, pontua. Mesmo diante dos desafios, o setor portuário brasileiro avançou cerca de 4%, no ano passado, segundo o Ministério da Infraestrutura. A expectativa é encerrar 2021 com crescimento entre 6% e 7%.

*Com informações da repórter Livia Zanolini