Sistema de saúde sentirá impacto das festas depois do dia 20, diz secretário de São Paulo

Para Edson Aparecido, é necessário conscientizar a população que a ‘pandemia não acabou’ 

  • Por Jovem Pan
  • 06/01/2021 09h10 - Atualizado em 06/01/2021 09h19
Du Amorim/A2FotografiaMesmo a alta de casos e internações, o secretário de saúde nega a possibilidade de reabertura dos hospitais de campanha no município

As consequências das festas do fim de ano devem impactar o sistema de saúde após o dia 20 de janeiro. A avaliação é do secretário de saúde da capital paulista, Edson Aparecido. Em entevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 06, ele avaliou os reflexos das aglomerações nos aumentos de casos, óbitos e internações pela Covid-19 no município. “Ainda não tivemos o impacto do processo pré-festas de final de ano, que foi a movimentação intensa das pessoas nos comércios populares, e também não tivemos ainda o impacto das festas de final de ano. Devemos ter esse impacto seguramente a partir do dia 20 de janeiro. Estamos conseguindo ainda ter o controle, mas, sem dúvida nenhuma, por conta do que aconteceu, o sistema de saúde vai ser impactado, vai ser necessário mais leitos”, relata. Com isso, São Paulo pretendo ampliar as ofertas de leitos de enfermaria para garantir o tratamento de casos leves da doença, abrindo 106 novas vagas no Hospital Brigadeiro.

Mesmo a alta de casos e internações, no entanto, o secretário de saúde nega a possibilidade de reabertura dos hospitais de campanha no município. Segundo Edson Aparecido, embora importantes para o momento mais crítico da pandemia, as estruturas não serão necessárias. “Os hospitais de campanha foram fundamentais porque tratamos mais de 12 mil pessoas, salvamos mais de 12 mil pessoas. Depois passamos pelo processo de implantação de hospitais definitivos, com oito novos hospitais instalados no município. Com essas estruturas fica mais fácil fazer o enfrentamento”, relata. Atualmente, São Paulo registra níveis de ocupação dos leitos de enfermaria em 63% e de unidades de terapia intensiva em 61%. Para manter os índices, Edson Aparecido indica que a população deve ter consciência que a “pandemia não acabou”. “A gente teve, felizmente, uma queda de óbitos, mas o processo de contaminação é muito grande e acontece, basicamente, porque houve um certo relaxamento por parte da sociedade, achando que a pandemia está controlada.”

Segundo o secretário, atualmente, São Paulo registra média móvel de 18 mortes diárias pela Covid-19, na avaliação a cada sete dias. No pior momento da pandemia, em 21 de junho, a taxa chegou a 127 óbitos. Em meio aos avanços da segunda onda da doença, a cidade adota um novo protocolo de internações, que busca antecipar os cuidados para pacientes de grupos de risco e evitar a evolução para casos mais graves. “Hoje, as pessoas estão em um processo de contaminação, mas com carga viral menor, o que faz com que sejam assintomáticos ou tenham sintomas leves. Já pessoas com comorbidades, quando chegam no sistema de saúde e testam positivo, já procuramos fazer a internação para que ela não evolua para um caso mais grave que necessite de um leito de UTI.”