Suspeição de Moro não representa absolvição de Lula, dizem especialistas
As consequências do julgamento que declarou o ex-juiz Sergio Moro, suspeito no caso do triplex do Guarujá, são incertas. A mestre em direito penal pela PUC de São Paulo, Jaqueline Valles, diz que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) não representa a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Documentos, contratos, essas provas são corretas. O que não é correto é a análise que foi feita pelo juiz que foi julgado suspeito. Então essas provas vão ser aproveitadas no próximo julgamento e podem levar à condenação do Lula. O Lula não foi absolvido”, disse. O promotor Marco Felipe Torres Castello afirma que todos os atos do processo serão anulados, mas as provas poderão ser reaproveitadas pelo juiz que assumir o caso. “Tem uma tese com nome bastante técnico que fala que o novo juiz pode referendas todos aqueles atos, ratificar os atos decisórios também, mas há uma divergência quanto isso. A regra é que se anulem todos os atos decisórios praticados pelo juiz que foi reconhecido como suspeito no caso concreto.”
Apesar da declaração da suspeição do ex-juiz Sergio Moro se restringir a apenas um réu da Operação Lava Jato, especialistas acreditam que a decisão terá impacto sobre o sistema judiciário e a forma como são conduzidos os processos penais em todo o país. Segundo o criminalista Daniel Bialski, a decisão da Segunda Turma do STF abriu um precedente em relação a outros réus da força-tarefa. “Obviamente, que algum acusado, algum condenado pela Lava Jato que tiver como demonstrar que no caso dele o juiz Moro também agiu de forma incorreta, de forma abusiva, de forma parcial, ele também vai poder postular no Tribunal a anulação e vai poder bater nas portas do Supremo para dizer ‘olha, naquele caso vocês entenderam dessa forma, no meu caso o raciocínio é o mesmo’. E o Supremo vai ter que analisar caso a caso e reconhecer, ou não reconhecer, a nulidade.”
O presidente da Associação dos Juízes Federais, André Brandão, teme um aumento da insegurança jurídica pelo uso de provas obtidas de modo ilícito. “Dessas interceptações indevidas está a possibvilidade de edição, é uma coisa que preocupa para o futuro. Não é bom, não é positivo. É dar força para esse tipo de prática. Não é algo recomendado”, avaliou. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao ministro Luiz Fux, para julgar no plenário do Supremo a suspeição de Sergio Moro. O vice-procurador-geral, Humberto Jacques de Medeiros, afirmou que é preciso evitar contradições entre a suspeição e a anulação das condenações de Lula na Lava Jato. Medeiros sustentou que cabe ao plenário analisar a possibilidade de uso das mensagens roubadas pela defesa do ex-presidente e de outros réus na operação, decidindo as questões em conjunto.
[jp-related-posts ids=”1067805,1067549,1067355″]
*Com informações da repórter Caterina Achutti
Assuntos
continue lendo
Beatriz Manfredini
Com Tarcísio, aliados de Flávio montam ‘bolsão de apoios’ em SP para ampliar vantagem sob Lula na reta final
Até a véspera do segundo turno, pelo menos 20 eventos promovidos por partidos aliados estão agendados
- Eleições 2026: mais de 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar no 1º turno Jovem Pan · há 5 dias
- Allyson Bezerra e Cadu Xavier vão para o 2º turno pelo governo do RN Júlia Lara · há 5 dias
- Otaviano Pivetta é reeleito governador do Mato Grosso Jovem Pan · há 5 dias
- Morre o influenciador Lito Sousa aos 59 anos Jovem Pan · há 1 semana