Testagem rápida pode ser estratégia para quebrar cadeia de transmissão da Covid-19

Auxiliando exames mais demorados, como o RT-PCR, exames de saliva podem ter menos precisão, mas têm resultado imediato para paciente

  • Por Jovem Pan
  • 09/05/2021 10h24
Governo do Estado de São Paulo/DivulgaçãoTeste RT-Lamp usa saliva para detectar Covid-19

Identificar o quanto antes quem está contaminado pelo coronavírus é extremamente importante para conter o avanço da doença. No início do ano, uma pesquisa da revista científica The Lancet apontou que a testagem em massa e o isolamento são as estratégias mais baratas contra Covid-19. A Coreia do Sul é um exemplo bem sucedido dos testes em massa. O país utilizou, inclusive, um sistema de informações baseado na geolocalização da população para tentar conter o avanço da doença. Aqui no Brasil, especialistas defendem a necessidade de uma testagem mais rápida. O teste RT-Lamp, que pode ser feito através da saliva, é o método mais eficiente para este fim. Ele é complementar ao RT-PCR, que é mais demorado. No entanto, é um pouco mais preciso no diagnóstico.

David Schlesinger é CEO de um laboratório brasileiro e explica porque é importante identificar logo as pessoas contaminadas. “A maior parte das pessoas tem um período relativamente curto de infecção e muitas dessas pessoas são infectantes antes delas apresentarem sintomas. Esse é o problema. Ou pior ainda: nunca vão apresentar sintomas e vão passar adiante o vírus da mesma maneira que pessoas sintomáticas. Então, a gente ter um teste que rapidamente identifica essas pessoas, volta essa informação para elas, para os contactantes delas, para o ambiente familiar do trabalho, da escola, é crucial para a gente quebrar a cadeia de transmissão”, afirmou.

Davi Schlesinger acredita que o país terá uma redução de casos nas próximas semanas, mas destaca que, provavelmente, com a chegada do inverno, haverá uma nova onda. Segundo os estudos realizados pelo laboratório, os resultados prevêem variação de duas semanas no número de internações e um mês para os dados de mortalidade da doença, o que permite monitorar de forma mais fácil a adoção de medidas emergenciais e também a retomada de atividades. O Brasil já contabiliza mais de 15 milhões de contaminados pelo novo coronavírus. O número total de óbitos ultrapassa os 420 mil. Somente no Estado de São Paulo, há mais de 100 mil mortes confirmadas.

*Com informações da repórter Camila Yunes