‘Tomei a Sputnik V com tranquilidade, a desconfiança é no Ocidente’, diz brasileiro em Moscou

Segundo Fábio Aleixo, a Rússia adota vacinação massiva contra a Covid-19, o que inclui a imunização de qualquer cidadão, inclusive de estrangeiros

  • Por Jovem Pan
  • 08/02/2021 08h42 - Atualizado em 08/02/2021 09h36
EFE/EPA/MINZDRAVSegundo Fábio Aleixo, os resultados da vacina foram amplamente divulgados pelas autoridades locais de forma "muito clara"

O jornalista brasileiro Fábio Aleixo, que vive, atualmente, em Moscou, na Rússia, tomou as duas doses da vacina Sputnik V com “tranquilidade”. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 08, ele falou sobre as reações após aplicação do imunizante e a desconfiança pela segurança e eficácia do composto contra a Covid-19. Segundo ele, os resultados da vacina foram amplamente divulgados pelas autoridades de forma “muito clara” e há muito tempo. “Tomei a vacina antes de ter os dados na The Lancet [revista científica que publicou dados da Sputnik V], tinha colegas que tinham participado na fase 3. Eu fui com muita tranquilidade. Existe desconfiança na parte ocidental, Europa e Estados Unidos até que não seja publicado em veículos de divulgação científica, mas aqui dentro foi tranquilo. Mais pessoas vão tomando, vão falando para os outros e aí as pessoas vão entrando nessa questão [da imunização]. A Rússia espera vacinar 60% da população até o final do ano para ter controle da pandemia”, relatou. A aplicação da segunda dose da Sputnik V respeitou intervalo de 21 dias, sendo considerado, de fato, imunizado após 21 dias da última aplicação.

Fábio Aleixo conta as reações leves que teve após a imunização, com sintomas como febre e dor no local da aplicação. “A primeira dose recebi em 13 de janeiro. Depois da primeira dose, tive uma temperatura alta de febre, no período de 10 horas, e um pouco de dificuldade para dormir. Tomei paracetamol como médicos recomendavam, tive um pouquinho de dor de cabeça, mas nada muito assustador, uma coisa muito comum. Estava sentido febre, mas não sentia dor, como se fosse gripe, mas sem nariz escorrendo. Depois de 3 de fevereiro recebi a segunda dose e os sintomas foram mais leves. Tive mais dor no braço esquerdo e também febre de 37,6 ºC”, relatou. A aplicação da segunda dose da Sputnik V respeita o intervalo de 21 dias. Para ser considerado imune ao coronavírus, no entanto, é necessário aguardar mais 21 após a última aplicação, ou seja, 42 dias depois da primeira vacina. 

Segundo o jornalista, a vacinação do país acontece com pontos de atendimentos, sendo que qualquer cidadão, inclusive estrangeiros, podem receber o imunizante. De acordo com Aleixo, a Rússia espera ter o total controle da pandemia da Covid-19 até o fim do verão no país, que acontece em meados de setembro. Ao todo, mais de 2 milhões de pessoas já foram vacinadas e a expectativa do país é alcançar 60% de imunizados até o fim de 2021. Com a vacinação massiva, o país já registra queda na incidência da doença. “O ano começou e tinham 30 mil casos diários no país, Moscou com seis mil. Dados de hoje [segunda-feira], mostram 16 mil casos. Autoridades esperam que até o fim do verão, que é setembro ou outubro, esteja totalmente controlada a pandemia do coronavírus. Até o regime de máscaras pode sair até o fim do verão.”