Vacina contra a Covid-19 pode chegar entre março e abril no setor privado

A intenção é comprar pelo menos cinco milhões de doses de possíveis imunizantes contra a doença

  • Por Jovem Pan
  • 05/01/2021 07h30 - Atualizado em 05/01/2021 08h32
EFE/EPA/Bagus Indahono/ArchivoNo Brasil, a maior aposta do governo brasileiro continua sendo o imunizante do laboratório AstraZeneca, que faz parceria com a Fiocruz

O setor privado avalia que é possível iniciar o processo de vacinação contra a Covid-19 nas clínicas particulares entre o fim de março e início de abril. A intenção é comprar pelo menos cinco milhões de doses de possíveis imunizantes contra a doença. O presidente da Associação Brasileira das Clinicas de Vacinas, Geraldo Barbosa, explica que a ideia não é competir, mas complementar a ação do Ministério da Saúde, que planeja iniciar a imunização do grupo prioritário entre o final de janeiro e o início de fevereiro.

Ao tomar conhecimento da intenção das clínicas de ofertarem as vacinas, o Ministério da Saúde, defendeu que elas também obedeçam ao chamado grupo prioritário. Geraldo Barbosa, no entanto, avalia que nesse momento é preciso garantir também uma proteção maior para quem, apesar da pandemia, não tem como ficar em casa. “Se a gente for trabalhar no mesmo perfil de público, a gente não vai ter êxito nesta campanha, porque não vamos atingir aquele público que é importante para o nosso segmento, que é fazer a indústria e os funcionários voltem a trabalhar com segurança”, diz. Segundo ele, ainda não é possível dizer quanto deve custar a vacina nas clínicas particulares, já que o valor final vai depender além do custo do imunizante e dos valores para logística e distribuição no Brasil.

As datas para início da vacinação no Sistema Único de Saúde e nas clínicas particulares dependem, no entanto, da concessão do registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A agência explica que até agora não recebeu qualquer pedido: seja o emergencial seja o definitivo. Nesta segunda-feira, 05, representantes do laboratório indiano tiveram reunião com a entidade, que esclareceu dúvidas com relação ao passo a passo para iniciar a vacinação. Como não fez testes no Brasil, a Bharat Biotec só poderá pedir o registro definitivo. “O grande entrave que a gente vai ter agora é a Bharat com a Anvisa para conseguir registrar. A vacina já existe, já está produzida. As tentativas para conseguir o transporte e o seguro para trazer a vacina também serão tratadas. O que a gente pretende é ajudar ao máximo para que a Bharat e a Anvisa tenham segurança nesse processo e liberem rapidamente a vacina”, explica. A Convaxin, vacina do laboratório indiano, ainda tem um longo caminho para obter a autorização da Anvisa, uma vez que ainda está na fase 3 de testes naquele país. Segundo a associação das clínicas, a eficácia nas fases 1 e 2 teria sido de 71% e 84% respectivamente.

No Brasil, a maior aposta do governo brasileiro continua sendo o imunizante do laboratório AstraZeneca, que faz parceria com a Fiocruz. Ainda nesta segunda, a Anvisa cobrou informações sobre as doses que são sendo produzidas na Índia. A agência aprovou a importação de 2 milhões de doses do imunizantes, mas, para liberar o registro, quer ter certeza de que a vacina do laboratório produzida no Reino Unido é igual à produzida na Índia. O governo indiano, no entanto, decidiu proibir até meados de março a exportação da vacina para priorizar a vacinação no país. O Itamaraty entrou em campo para negociar com o governo indiano e afirmou estar confiante numa solução para o problema

*Com informações da repórter Luciana Verdolin