‘Vivemos um colapso do sistema de saúde, diferente do ano passado’, diz coordenador da Fiocruz

Para Carlos Machado, pandemia da Covid-19 pode piorar se medidas radicais não forem adotadas por alguns Estados

  • Por Jovem Pan
  • 20/03/2021 13h23
EFE/ Fernando BizerraPara o coordenador, é necessário enfrentar a questão da lotação do transporte público

Coordenador do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Carlos Machado afirmou neste sábado, 20, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, que o Brasil vive o pior momento da pandemia, agravado por um colapso do sistema de saúde em vários Estados. “Não é só em termo do crescimento de casos e aumento de óbitos. O que é diferente de julho, por exemplo, é o colapso do sistema de saúde em vários Estados. Isso impacta não só o atendimento dos casos Covid, mas o sistema de saúde como um todo, resultando em um excesso de óbitos por outras doenças que não são Covid, por causa da desassistência”, disse.

Segundo ele, não é possível fazer uma projeção da melhora da situação em dias ou semanas. Porém, se medidas mais radicais, como bloqueios ou lockdowns, não forem adotados por alguns Estados, o número de casos continuará a crescer e o sistema de saúde ficará ainda mais sobrecarregado. “Temos um outro aspecto importante, que são as novas variantes, que têm potencial de transmissão maior do que as outras variantes. Alguns Estados e municípios vêm adotando medidas mais restritas, mas não é imediato, elas trazem resultados nos próximos 15 dias. Mas ainda não há nenhum sinal de que a situação vai melhorar logo”, ressaltou Machado.

Para o coordenador, é necessário enfrentar a questão da lotação do transporte público. “Da forma como está, significa a aglomeração de milhares de pessoas diariamente. Mesmo com campanhas, têm pessoas sem máscaras no transporte público. (…) É preciso aumentar a frequência dos ônibus, não diminuir. Nós estamos em um cenário bastante crítico, não só de sobrecarga e colapso do nosso sistema de saúde em todo o país, mas também com as novas variantes”, concluiu.