Kim Kataguiri afirma que Mourão está disposto a formar novo governo

Em entrevista ao Morning Show, deputado federal reforçou a necessidade do impeachment contra o presidente: ‘Bolsonaro deve pagar pelos crimes que cometeu e ponto final’

  • Por Jovem Pan
  • 28/01/2021 13h38 - Atualizado em 28/01/2021 14h35
Claudio Andrade/Câmara dos DeputadosKim Kataguiri classificou impeachment contra Bolsonaro como 'remédio constitucional para evitar males maiores ao país'

Em entrevista ao programa Morning Show, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 28, o deputado federal Kim Kataguiri afirmou que o vice-presidente Hamilton Mourão apresenta boa vontade para assumir a cadeira da Presidência da República caso Jair Bolsonaro seja afastado do cargo em um processo de impeachment. “O impeachment é a saída institucional e antirrevolucionária para um presidente que comete crimes, um remédio constitucional para evitar males maiores ao país. Neste sentido, o processo de impeachment não diz respeito a derrubar o presidente, mas substituí-lo, criar um novo governo. Só existe o afastamento do líder do executivo se o vice-presidente já articulou um novo governo, uma nova Esplanada dos Ministérios, o que Hamilton Mourão sinaliza que está disposto a fazer. Sua postura é evidente porque ele já envia interlocutores para dialogar com parlamentares no Congresso Nacional”, disse.

Até o momento, entidades e parlamentares já apresentaram 64 pedidos de afastamento do presidente à mesa diretora da Câmara dos Deputados. Integrando o Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri protocolou um destes pedidos e reforçou, durante a entrevista, que Bolsonaro deve ser retirado do poder já que, segundo ele, “é um criminoso”. “Não interessa mais o posicionamento político do presidente, se ele se diz liberal ou conservador. O que interessa é que Bolsonaro cometeu crimes e deve pagar por isso, ponto final. Se nós temos um criminoso na Presidência da República, ele deve ser imediatamente retirado do poder”.

Segundo o parlamentar, há embasamento jurídico suficiente para abrir o processo de afastamento já que, como aponta, Bolsonaro teria atentado contra a Lei do Impeachment (Lei 1.079/50) ao cometer uma série de crimes de responsabilidade e violar os poderes constitucionais dos estados. “Usamos como base para o nosso pedido a legislação que regulamenta o impeachment. O presidente atentou contra o artigo 2° da lei ao tentar confiscar seringas, agulhas e vacinas do estado de São Paulo. Atentou também contra o inciso 3° do artigo 4° uma vez que comprometeu o direito dos cidadãos à saúde no episódio do colapso do sistema de saúde em Manaus. Contra o inciso 5° do mesmo artigo, cometendo os crimes de improbidade administrativa ao tentar nomear Ramagem para a diretoria da Polícia Federal e nomeando agentes na Abin para blindar seus próprios filhos, além da compra e distribuição irregular da cloroquina adquirida com sobrepreço. Por último, o presidente atentou contra a lei orçamentária, inciso 6°, ao dar uma pedalada tributária”, concluiu.

Confira na íntegra a entrevista com o deputado Kim Kataguiri: