‘Plantar maconha no Brasil não deixaria medicamento mais barato’, diz diretor da Anvisa

  • Por Jovem Pan
  • 04/12/2019 11h44 - Atualizado em 04/12/2019 11h45
PixabayEle ressaltou que, como o insumo é muito visado pelo crime organizado, seria necessário investir em maior segurança

Na última terça-feira (3) a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou por unanimidade a fabricação e a venda de medicamentos à base de maconha no Brasil. No mesmo dia, porém, ela não autorizou – por 3 votos a 1 – o plantio da cannabis em terras brasileiras.

Em entrevista ao Morning Show, um dos diretores da Agência reguladora Antonio Barra explicou o que muda na prática e quando o medicamento chegará até as prateleiras.

“A categoria que passa a se chamar Produtos de Cannabis agora passará por um registro para cumprir determinadas etapas de processo que visam garantir qualidade – o que não havia na resolução de 2015. Com isso a segurança do paciente fica muito mais assegurada”, explica.

De acordo com Antonio, ao contrário do que se pensa popularmente, não é porque um medicamente é produzido no Brasil que ele é vendido por preços menores.

“É importante pontuar que o fato de plantar ou produzir no Brasil não assegura que o produto saia mais barato. Nós somos levados a pensar isso, mas não é algo que acontece necessariamente na indústria farmacêutica.”

“Agora, mesmo importando a planta, esperasse que o custo desse produto diminua. Antes ele era importado individualmente, o que aumentava os custos de importação. Ou seja, o acesso ao paciente ficará mais fácil”, completa.

Ele ressaltou que, como o insumo é muito visado pelo crime organizado, seria necessário investir em maior segurança. “Isso poderia encarecer o produto final.”

Qualidade do produto

“Estamos liberando o registro para produtos que precisam de receita médica. Nós teremos que acompanhar a evolução desses produtos para entender no mercado e na utilização”, explicou o diretor.

O nosso entendimento foi de buscar produtos que tenham algum nível de estudos clínicos que mostrem efetividade em doenças. Essa resolução terá um prazo de analise de até três anos e poderá sofrer alterações ou atualizações.”

Antonio Barra também ressaltou que a Anvisa se certificará de que os produtores da cannabis tenham certificado de boas práticas internacional e que tenham também estudos clínicos comprovados na fase inicial de análise. “Isso já deixa a gente mais seguro.”

O medicamento à base da planta da maconha têm eficacia comprovada no tratamento de epilepsias refratárias a tratamentos convencionais, dores neuropáticas e em certos casos de autismo.

Após a publicação no Diário Oficial, que deve acontecer até a próxima quarta-feira (11), o prazo é de 90 dias para que o medicamento esteja em condições de ser fornecido.

Como o processo funciona por demanda, é esperado que os primeiro frascos cheguem nas prateleiras em até seis meses.