‘Sensação de banho de água fria’, diz delegado que prendeu André do Rap em 2019

Delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa, falou sobre decisão do STF e criticou legislação

  • Por Jovem Pan
  • 13/10/2020 20h52 - Atualizado em 13/10/2020 21h16
DivulgaçãoAndré do Rap permanece foragido após ser posto em liberdade pelo ministro do STF, Marco Aurélio Mello

Responsável pela prisão de André do Rap em setembro de 2019, o delegado Fábio Pinheiro Lopes, do Departamento de Homicídio de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo, deu entrevista ao programa Os Pingos nos Is nesta terça-feira, 13, e falou sobre a sensação de “banho de água fria” causada pela soltura do membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) após decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), baseado em trecho do pacote anticrime. A decisão foi revogada horas depois pelo ministro Luiz Fux, mas André do Rap continua foragido.

“Que isso sirva de lição. Tinha que aproveitar isso para que nossos políticos reavaliem e retirem esse dispositivo do nosso Código de Processo Penal”, afirmou o delegado, lembrando que André do Rap já tinha duas condenações em segunda instância e ficou foragido por quase seis anos antes de ser preso pela polícia de São Paulo. Pinheiro Lopes disse, ainda, que o alto poder aquisitivo do ex-detento faz com que a captura dele seja dificultada. “Ele foge da normalidade do padrão do criminoso brasileiro. É uma missão difícil, bem difícil vai ser a sua captura, só que a gente não vai desistir”, afirmou.

Além da Polícia Civil de São Paulo, a Polícia Federal e a Polícia Civil do Paraná trabalham de forma conjunta nas buscas ao preso. Há suspeitas de que ele tenha ido até o estado do Sul para tentar fugir para o exterior. A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) também foi acionada, já que a polícia também trabalha com a hipótese de que o condenado tenha fugido para Bolívia ou Paraguai. “Ele não usa documentos verdadeiros, com seu nome verdadeiro, ele não anda em voos comerciais, ele só anda em voos privados”, lembrou o delegado, que criticou a legislação vigente responsável por permitir a soltura.

“O juiz já tem uma competência vasta, um monte de processo para trabalhar diuturnamente, ele ainda tem que revisar todas as suas prisões preventivas a cada 90 dias? Isso é uma coisa que eles colocaram para ter um subterfúgio para deixar esse tipo de criminoso escapar. Eu não culpo o ministro. O ministro é extremamente garantista. Ele seguiu a sua convicção. O que está errado é essa legislação”, pontuou o delegado.

Confira o programa Os Pingos nos Is desta terça-feira, 13, na íntegra: