Bolsonaro diz que ‘não pode investir 100%’ em Aliança pelo Brasil e considera voltar ao PSL

Segundo ele, criação da legenda foi dificultada pela pandemia e pela burocratização; presidente afirma que foi convidado por três outros partidos para conversar sobre a sua possibilidade de filiação

  • Por Jovem Pan
  • 13/08/2020 21h25 - Atualizado em 13/08/2020 21h26
Estadão ConteúdoDesde a constituição do Aliança pelo Brasil, em dezembro de 2019, foram coletadas somente 3% das assinaturas exigidas pela Justiça Eleitoral

O presidente Jair Bolsonaro disse, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 13, que “não pode investir 100%” no Aliança Pelo Brasil, e que foi convidado por três outros partidos para conversar sobre a sua possibilidade de filiação. Além disso, afirmou que há uma quarta opção: se houver uma reconciliação, voltar para o Partido Social Liberal (PSL), partido pelo qual ele se elegeu, mas se desfiliou no ano passado. Segundo ele, a criação do Aliança foi dificultada pela pandemia da Covid-19 e pela burocratização para formar um novo partido. “Não posso jogar as fichas apenas no Aliança, que eu esperava que ficaria pronto este ano, mas acho difícil. Não vamos desistir, mas já conversei com o PSL”, declarou.

Bolsonaro rompeu com o presidente da legenda, Luciano Bivar, devido a atritos internos que tiveram como estopim a disputa pela liderança do partido na Câmara dos Deputados. Desde então, ele tem trabalhado pela criação do Aliança Pelo Brasil enquanto o PSL segue votando com o governo na maioria das pautas, mas também tem criticado algumas atitudes. Em abril, o partido chegou a entrar com um pedido de impeachment de Bolsonaro, após a polêmica com a troca de comando da Polícia Federal. “Tem uns 44 parlamentares [do PSL] que conversam comigo, uns seis ou sete não dá, devido ao nível que foi a conversa, com ataques pessoais. Mas se houver a possibilidade de reconciliação, pode ser. Porém, tenho que mostrar o porque da volta, senão a pessoa que trabalhou por assinaturas no Aliança não vai gostar. Tudo precisa de justificativas e condições, não dá para ser um partido nota 10, mas também não nota 3, ou 4, tem que ser nota 8”, disse.

Desde a constituição do Aliança pelo Brasil, em dezembro de 2019, foram coletadas somente 3% das assinaturas exigidas pela Justiça Eleitoral. Durante uma reunião oficial no último dia 7, da qual fez parte também o ministro da Secretaria de Governo, General Ramos, o ex-deputado Roberto Jefferson ofereceu que Bolsonaro seja candidato à reeleição pelo PTB. “Afirmei ao presidente Bolsonaro que tanto o PTB quanto ele e seu governo comungam do propósito de fazer com que o Brasil trilhe o caminho da competitividade, da eficiência, da modernidade e da prosperidade, e que seja um país com mais oportunidades de emprego e de empreender e com menos impostos e menos gastos públicos. E que somos os defensores da família, da vida, da liberdade, da propriedade, da democracia, da justiça e da Pátria, sagrados valores que os comunistas e socialistas tanto tentam destruir mas que nós, os alferes de Deus e leões conservadores, jamais permitiremos”, disse Jefferson ao site oficial do PTB.”