Constantino: Protestos contra lockdown são gritos de desespero potencializados por decisão de Fachin

Comentarista foi convidado especial do programa ‘Os Pingos nos Is’ desta segunda-feira, 15; ele acredita que governadores precisarão pensar em plano B para contrapor lockdown

  • Por Jovem Pan
  • 15/03/2021 19h26 - Atualizado em 15/03/2021 20h47
Jerônimo Gonzales/PhotoPress/Estadão ConteúdoProtestos contra lockdown foram registrados em todo o país

Manifestantes promoveram neste domingo, 14, atos em várias capitais brasileiras com críticas a governadores e registros de apoio à condução política do presidente Jair Bolsonaro na luta contra a pandemia da Covid-19. Em Brasília, os apoiadores do presidente tomaram as principais vias da capital federal com cartazes com palavras de ordem, faixas e bandeiras do Brasil. No Estado do Rio de Janeiro, a cidade de Niterói foi a que teve maior concentração de pessoas marchando a favor do presidente. Em São Paulo, os protestos foram iniciados nas imediações da Assembleia Legislativa, Parque Ibirapuera e Comando Militar do Sudeste. O deputado federal Coronel Tadeu (PSL), presente no ato, disse que a manifestação traz reivindicações de várias pautas. “Não deveria ter tirado uma parte da autonomia do presidente, essa parte foi tirada. Isso, o povo não aceita. Eu também não aceito. Não achei que foi correto, até porque nós estamos presenciando as inúmeras decisões erradas, para não falar ‘besteiras’, que os governantes estão fazendo”, opinou.

Durante o turno da tarde, uma carreata se formou ao longo de toda a Avenida Paulista. Na movimentação, manifestantes reclamavam da posição mais dura em relação ao isolamento social implementadas pelo governador João Doria (PSDB) a partir desta segunda. Eles também se posicionaram contra a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou processos da Operação Lava Jato contra Lula e tornou o petista elegível. Ainda na noite do domingo, manifestantes foram à frente da casa de João Doria cobrar a renúncia do tucano, que criticou mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro em coletiva de imprensa para falar sobre vacinas nesta segunda-feira.

Convidado especial do programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, Rodrigo Constantino viu as manifestações como “um grito de desabafo de quem não aguenta mais”. Ele afirmou que aqueles que têm estabilidade de emprego e salário garantido no fim do mês são os que mandam todos ficarem em casa sem respaldo científico. “É um grito de desespero. Ninguém aguenta mais, tem o aspecto da economia, tem o aspecto das liberdades, que pesa para muitos, e juntou tudo e as pessoas tomaram as ruas para protestar contra governadores, alguns para apoiar o presidente, tudo isso com a lenha que foi colocada pelo Supremo Tribunal Federal com a história toda do Fachin, que com uma canetada tornou o ex-presidente Lula elegível”, pontuou.

O comentarista acredita que o conjunto de ocorrências no Brasil levanta um clima de tensão e que estar nas ruas para protestar é legítimo. “O que fica claro é que dependendo da vertente política e ideológica, não importa bem se as pessoas estão na rua ou não, o que importa é a pauta que elas estão levando”, afirmou. Constantino também citou os protestos do Black Lives Matter, que incendiaram cidades nos Estados Unidos, e que teriam sido “aplaudidos” pela mídia, que, segundo ele, chegou a publicar estudos sobre como a Covid-19 não se propagou nessas manifestações. “Ou seja, é o vírus ideológico, o vírus que só ataca quem é de direita. É uma coisa realmente insana que a população não aguenta mais”, afirmou. “Os governadores vão ter que pensar em um plano B. Mandar todo mundo ficar em casa é insustentável, autoritário e não dá mais”.

Confira o programa “Os Pingos Nos Is” desta segunda-feira, 15, na íntegra: