Alvo de operação do STF, Daniel Silveira vai entrar com ação contra Moraes

Ministro pediu a quebra de sigilo bancário de dez deputados e um senador

  • Por Jovem Pan
  • 16/06/2020 20h46 - Atualizado em 16/06/2020 20h48
Câmara dos DeputadosDaniel Silveira (PSL) ainda não teve acesso ao inquérito

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), um dos alvos da operação da Polícia Federal feita na manhã desta terça-feira, 16, a pedido do ministro Alexandre de Moraes, afirmou, em entrevista exclusiva ao programa Os Pingos nos Is, que ainda não teve acesso ao inquérito. Além disso, chamou a decisão do STF de ditatorial, e disse que vai entrar com uma ação judicial contra Moraes.

“O que me assusta é o momento macabro que o Brasil vai atravessar”, destacou. “Eles [Poder Judiciário] reclamam da ditadura, mas aplicam a sua, quando por pura ideologia e perseguição política, fazem valer. Eu não concordei com a investigação porque não tem fundamento, é baseada em ilações, é um atentado direto à República”, continuou.

Moraes pediu a quebra de sigilo bancário de dez deputados — incluindo Silveira — e um senador, no inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos. A decisão foi tomada em conjunto com a autorização da Operação Lume, que cumpriu nesta manhã mandados de busca e apreensão contra 21 alvos ligados aos protestos.

O deputado contou que acordou, às 6h, com a Polícia Federal “batendo na sua porta” e que levaram seus pertences, incluindo o celular. Ele se disponibilizou a ir até a PF para a oitiva, mas chegando lá, ainda não tinha o inquérito, então resolveu permanecer em silêncio. “Falei que retornaria às 13h e o delegado disse que às 13h30 teria o inquérito. Retornamos e ele ainda estava no STF tentando ter acesso à investigação. Como eu posso ser intimado se eu não sei o objeto da questão e nem o órgão que vai me investigar?”, questionou Silveira.

Para ele, a operação trata-se “evidentemente de um abuso de autoridade”. “Vou entrar com uma ação judicial contra ele [Moraes] para que possamos lutar contra um ativismo político do STF. O Brasil está sendo vítima de abuso da ditadura do Judiciário”, disse, acrescentando que vai oficiar o presidente Jair Bolsonaro sobre o ocorrido.