‘Decisão impulsiva, combina com Bolsonaro’, diz Augusto sobre indicação de Kassio Nunes

Segundo o comentarista, Nunes foi levado por um amigo em comum ao presidente porque queria uma vaga no STJ, e acabou sendo convidado a ir para o STF

  • Por Jovem Pan
  • 02/10/2020 20h38
Ascom-TRF-1Kássio Nunes Marques é vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Federal (TRF-1)

O comentarista Augusto Nunes, do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, disse que a indicação do desembargador Kássio Nunes Marques para a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF) foi uma “decisão impulsiva” do presidente Jair Bolsonaro. Augusto contou que, segundo fontes ouvidas dentro do Congresso, Nunes foi levado por um amigo em comum a Bolsonaro porque queria uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Na mesma conversa, Bolsonaro se entusiasmou com o que ele dizia e perguntou se queria ir para o STF. Pediu um encontro com Gilmar Mendes e Dias Toffoli para informar que já tinha escolhido o novo ministro”, disse o comentarista. “Bolsonaro tem esse tipo de impulso. Foi uma decisão impulsiva, e parece que combina com o temperamento dele em outras decisões que já tomou”, continuou.

Augusto afirmou que não iria “pré-julgar” o provável futuro ministro, e que esperaria ele tomar as primeiras decisões para formar uma opinião. Ele usou como exemplo a indicação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República que, segundo o comentarista, acabou “virando uma decepção”. “Me convenci que o sonho dele é acabar com a Lava Jato e está fazendo tudo para isso. Essa foi uma indicação que me decepcionou, torço para não me decepcionar com Kassio Nunes”, disse. Em publicação nas redes sociais — posteriormente apagada–, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, alfinetou o presidente. “Se Bolsonaro não indicar alguém ao STF comprometido com o combate à corrupção ou com a execução da condenação criminal em segunda instância, todos já saberão a sua verdadeira natureza (muitos já sabem)”, escreveu. Para Augusto, Moro se “equivocou na forma, mas não no conteúdo”. “Para mim é fundamental saber o que ele [Nunes] fala e se está preparado para defender a Lava Jato. Tem que tratar a Lava Jato como patrimônio moral dos brasileiros”, afirmou.

Nunes ainda precisará passar por uma sabatina no Senado e ser aprovado pelos parlamentares. Em anúncio feito ontem, Bolsonaro disse que a decisão não era sua, “mas sim do Senado”. “A sabatina no Senado que avaliaria o conhecimento jurídico do candidato ou indicado, até agora me lembra um chá de senhoras ou o chá das cinco na Academia Brasileira de Letras, tem o mesmo nível de exigência. É uma troca de amabilidade entre um candidato ao Supremo e culpados que poderão ser julgados futuramente pelo tribunal que faz parte o sabatinado. Bolsonaro disse que é o Senado que vai definir, mas o Senado tem muita boa vontade com quem é indicado, e não deveria ter boa vontade com ninguém, tinha que ser rigoroso com todo mundo”, afirmou Augusto.