Líder do governo na Câmara diz que não houve negociação em votação que proibiu reajuste dos servidores

‘Houve convencimento, argumentos muito importantes’, afirmou Ricardo Barros; Câmara reverteu decisão do Senado e impediu aumento dos salários dos funcionários públicos até o final de 2021

  • Por Jovem Pan
  • 21/08/2020 19h44 - Atualizado em 21/08/2020 19h47
Agência BrasilBarros também é vice-presidente da CPMI das fake news

O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados, negou nesta sexta-feira, 21, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, que tenha havido qualquer contrapartida ou negociação do governo na votação de ontem, que manteve o veto ao reajuste do salário dos funcionários públicos até dezembro de 2021. “Houve convencimento, argumentos muito importantes. Se não pudéssemos manter esse veto implicaria em R$ 60 bilhões anuais em todos os anos seguidos pela frente”, afirmou. Por 316 votos a favor, 165 contra e duas abstenções, a Câmara decidiu manter o veto do presidente Jair Bolsonaro. A proposta foi aprovada pelo Congresso dentro do pacote de socorro de R$ 125 bilhões aos estados e municípios, mas acabou barrada pelo Palácio do Planalto, que queria que a restrição fosse ampliada para todos os profissionais, incluindo funcionários da área da saúde e segurança pública.

Barros lembrou que a partir de janeiro de 2021 os gastos públicos não terão mais flexibilidade, já que o Orçamento de Guerra e outras medidas econômicas aprovadas devido à pandemia da Covid-19 seguem apenas até o final deste ano. Ou seja, o impacto das despesas do reajuste salarial para os servidores públicos “seria muito alto”, explicou. “Nenhum voto é conquistado no dia da votação, enquanto eu for líder não haverá esse tipo de negociação, ou o governo tem base ou não. Mas ficamos surpresos com a adesão dos argumentos, tanto que partidos da oposição votaram a favor do veto”, disse o deputado. Em nota, o Ministério da Economia parabenizou os deputados pela decisão. Segundo a pasta, a possível derrubada do veto traria graves consequências para as contas públicas, em especial para os municípios.

CPMI das fake news

O também vice-presidente da CPMI das fake news defendeu encerrar essa comissão e propor um projeto de lei no lugar. “Precisamos criar uma legislação para coibir o uso da internet para induzir os jovens e a sociedade a erros”, afirmou. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das fake news é uma comissão parlamentar mista de inquérito (Câmara dos Deputados e Senado Federal) criada no Brasil para investigar a existência de uma rede de produção e propagação de notícias falsas e o assédio virtual nas redes sociais.