Pedido para incluir Estados e municípios na CPI da Covid-19 tem 37 assinaturas no Senado

Informação foi dada pelo senador Eduardo Girão em entrevista no programa ‘Os Pingos Nos Is’ desta segunda-feira; parlamentar quer abranger foco da investigação

  • Por Jovem Pan
  • 12/04/2021 18h58 - Atualizado em 12/04/2021 19h27
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 01/02/2021 Pedido de inclusão tem assinatura de 37 senadores

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) conversou com o programa “Os Pingos Nos Is”, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 12, sobre o recolhimento de assinaturas para a inclusão de governadores e prefeitos na CPI da Covid-19. “Nós já temos 37 assinaturas, ou seja, estamos com um número de cinco a mais do que a assinatura que foca apenas no Governo Federal”, afirmou. Segundo Girão, ele e os colegas não consideram justa ou abrangente uma CPI que foca apenas em “parte da verdade”. Ele afirmou que o país vive um cenário “voltado para 2022”, algo que prejudica as investigações em torno de falcatruas cometidas com o dinheiro no momento de crise.

“O foco da nossa CPI não é apurar os estados e municípios. O foco da CPI é apurar os desvios dos recursos federais, centenas de bilhões de reais que foram enviados daqui de Brasília, do Governo Federal, para estados e municípios enfrentarem a pandemia”, afirmou. Caso o processo de inclusão não ande, porém, Girão disse que não pretende ir até o STF para pressionar a aceitação por parte do senado. “Acredito que é uma interferência de um poder sobre o outro. Hoje o Supremo Tribunal Federal causou uma desarmonia entre os poderes e eu acredito que a nossa CPI buscou o rito correto dentro do Senado Federal.

Girão disse que não tem conluio com nenhuma esfera de poder e nem tenta defender o Governo Federal com esse pedido. Ele lembrou de momentos em que se opôs a Jair Bolsonaro, como na votação para aprovar Kássio Nunes Marques para cargo no STF. “Absolutamente nada contra o ministro, mas é uma questão de princípios. Tenho essa independência do mandato e acredito que fica até feio para o governo, no meu modo de ver, pedir retirada de assinaturas”, pontuou. Ele crê que as argumentações para a CPI estão bem embasadas e, com a inclusão das outras esferas de poder, ela mostra o caminho correto para buscar a verdade. “Essa sujeira debaixo do tapete tem que vir à tona porque muita gente morreu por falta de leitos, por falta de respiradores. Porque dinheiro não faltou. Dinheiro de Brasília para os Estados e municípios não faltou”, afirmou.

O senador também comentou sobre a possibilidade de se debater a CPI durante a pandemia e disse acreditar que há condições para trabalhar em isolamento social, mesmo com desafios. “Cada senador tem direito de ter até 50 assessores nos seus gabinetes. A gente tem muita equipe para fazer essa busca, essa análise de documentos”, afirmou. classificou as decisões da segunda turma em relação à liberação de réus da Lava Jato como “esdrúxulas” e disse acreditar que o STF está “sem limites”, mas afirmou que vê a mobilização do povo brasileiro em busca do impeachment de alguns ministros da alta Corte como uma esperança. “É um clamor da sociedade que eu acredito que vai ser a redenção do nosso país”, opinou. Para ele, o impeachment surtirá um efeito pedagógico nos ministros que agem como “ativistas judiciais”.